Fundamentos da Economia- Aula 5
Fundamentos de teoria e política macroeconômica
Macroeconomia
É o ramo da teoria economia que trata da evolução da economia como um todo (mercado de forma global), analisando a determinação, e o comportamento dos grandes agregados, como renda e produto nacionais, investimento, poupança e consumo agregados, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio.
- Questões conjunturais (curto prazo): desemprego e inflação
- Questões estruturais (longo prazo e histórico-políticas): desenvolvimento econômico, distribuição de renda, globalização etc.
- Metas de política macroeconômica: Alto nível de emprego; estabilidade de preços; distribuição de renda socialmente justa; crescimento econômico;
Estrutura da análise macroeconômica
Macroeconomia é constituída por uma parte real e uma parte monetária, divididas em quatro mercados:
1) mercado de bens e serviços
2) mercado de trabalho
3) mercado financeiro
4) mercado cambial
Instrumentos de política macroeconômica
A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capcidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda agregada), com o objetivo de permitir à economia operar o pleno emprego, com baixas taxas de inflação e distribuição de justa renda. Os principais instrumentos para atingir essas metas são:
1) política fiscal
2) política monetária
3) politica cambial e comercial
4) politica de rendas
Política fiscal
É a manipulação dos tributos e dos gastos do governo para regular a atividade econômica. Ela é usada para neutralizar as tendências à depressão e à inflação. Instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). A Política fiscal pode ser tanto expansiva como restritiva.
- Expansiva: é usada quando há uma insuficiência de demanda agregada em relação à produção de pleno emprego, estoques excessivos se formarias (empresas reduzem produção e funcionários, aumentando o desemprego). Ex: aumento dos gastos públicos; diminuição da carga tributária (consumo e investimento); estímulo às exportações, elevando a demanda externa dos produtos; tarifas e barreiras às importações, beneficiando a produção nacional.
- Restritiva: É usada quando a demanda agregada supera a capacidade produtiva da economia (''hiato inflacionário''); estoques desaparecem e os preços sobem. Ex: diminuição dos gastos públicos; elevação da carga tributária sobre os bens de consumo; elevação das importações, por meio da redução de tarifas e barreiras.
Objetivos da política fiscal
- Redução da inflação: medidas fiscais normalmente utilizadas são a diminuição dos gastos públicos e/ou o aumento da carga tributária (o que inibe o consumo e o investimento), ou seja, visam diminuir os gastos da coletividade.
- crescimento e emprego: medidas fiscais seriam aumento dos gatos públicos e/ou diminuição da carga tributária, para elevar a demanda agregada.
- distribuição de renda: instrumentos devem ser utilizados de forma seletiva, em benefício de grupos menos favorecidos (Ex: impostos progressivos, gastos do governo em regiões e setores mais atrasados, etc.)
Superávit é quando a receita é maior do que os gastos, o governo pode diminuir tributos e aumentar o investimento. Déficit, por outro lado, é quando é receita é menor que os gastos, o governo precisa aumentar o tributo e diminuir o investimento.
Política monetária
Refere-se a atuação do governo sobre a quantidade de moeda, crédito e taxa d juros; é o conjunto de medidas (emissão de moeda, regulação do crédito, manutenção do padrão monetário e do controle de câmbio) adotadas pelo governo (Banco Central) visando adequar os meios de pagamento disponíveis às necessidades da economia do país, com o propósito de controlar a liquidez global do sistema econômico. Os instrumentos disponíveis são:
- emissões;
- reservas compulsórias (percentual sobre os depósitos que os bancos comerciais devem reter junto ao Banco Central)
- open Market (compra e venda de títulos públicos);
- redescontos (empréstimos que o Banco Central pode dar aos bancos comerciais)
- regulamentação sobre crédito e taxa de juros.
Tipos de Políticas monetárias
- Expansiva: Medidas que tendem a acelerar a quantidade de moeda e a baratear os empréstimos (baixar as taxas de juros). Incidirá positivamente sobre a demanda agregada. Entre os instrumentos disponíveis, estão a diminuição do recolhimento compulsório; assistência financeira de liquidez e compra de títulos públicos.
- Restritiva: conjunto de medidas que tendem a reduzir o crescimento da quantidade de moeda, e a encarecer os empréstimos. Entre os instrumentos disponíveis, estão o recolhimento compulsório, assistência financeira de liquidez e a venda de Títulos Públicos
Objetivos da Política Monetária
- Controle da inflação: diminuir o estoque monetário da Economia (ex: aumento da taxa de reserva compulsória, ou venda de títulos no open Market).
- Crescimento econômico: aumentar o estoque monetário.
- Distribuição de renda: taxação de rendas mais altas e aumento dos gastos do governo.
No caso do aumento da moeda circulando e diminuição da taxa de juros, o consumo tende a se acelerar e as empresas tendem a investir mais. Inversamente, com a diminuição da circulação da moeda e aumento da taxa de juros, o consumo tende a diminuir e as empresas tendem a investir menos.
Política Cambial e comercial
São políticas que atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. A política cambial refere-se ao controle do Governo sobre a taxa de cambial (câmbio fixo, flutuante etc.). É o instrumento da política de relações comerciais e financeiras entre um país e o conjunto dos demais países.
- Câmbio flutuante: preço da moeda varia livremente no mercado de moedas
- câmbio fixo: preço da moeda possui um preço único face as outras moedas
- banda cambial: moeda flutua, porém com um limite superior e um inferior, funcionando como uma mistura dos regimes fixo e flutuante.
A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo as exportações e ou estímulo/desestimulo as importações, sejam fiscais, creditícias, seja estabelecimento de cotas etc.
-Apreciação cambial
É a valorização da moeda diante de moedas internacionais; os estrangeiros precisam pagar mais pela moeda nacional. Ex: Dólar americano passa de R$ 3,20 para R$ 3,15.
Com o aumento das taxas de câmbio (valorização da moeda nacional), as exportações tornam-se mais caras e perdem competitividade no mercado internacional, e importações tornam-se mais baratos (pode provocar danos à estrutura produtiva interna). Consequentemente, as empresas nacionais reduzem o seu volume de vendas, menos receitas fiscais, redução do volume da produção, aumento da capacidade ociosa e do desemprego.
-Depreciação cambial
É a desvalorização da moeda diante de moedas internacionais; torna a moeda nacional mais barata em face das demais. Ex: Dólar americano passa de R$ 3,20 para R$ 3,30.
A desvalorização beneficia as exportações (tornando-a mais baratas e competitivas) e emperra as importações, funcionando como instrumento corretor de desequilíbrios da balança de pagamentos. Além disso, depreciação da moeda pode aumentar a competitividade da economia com os outros países, tornado os produtos mais atrativos.
Objetivos da política cambial e comercial
- Redução da inflação: medidas cambiais que privilegiem o câmbio das importações de produtos em falta no mercado interno e/ou diminuam a dependência de produtos importados; medidas comerciais que amplliem a oferta de produtos no mercado.
- Crescimento e emprego: medidas cambiais que priorizem o processo de industrialização nacional (e reduzam a desindustrialização); medidas comerciais que privilegiem os produtos nacionais (dentro dos marcos da Organização Mundial do Comércio).
- Distribuição de renda: medidas cambiais que incorporem os menos favorecidos na sua aplicação; medidas comerciais que fomentem maior acesso de produtos com menores preços para a população.
Com mais dólar no mercado, o valor do dólar cai, já com o Banco Central comprando dólares, o valor do dólar aumenta.
Política de rendas (controle de preções e salários)
A política de rendas consiste na interferência do governo nos preços e salários praticados pelo mercado. No intuito de atender a interesses sociais, o governo tem a capacidade de interferir nas forças do mercado e impedir o seu livre funcionamento. É o que ocorre quando o governo realiza um tabelamento de preços com o objetivo de controlar a inflação. Pode ter como objetivos finais a redistribuição de renda e justiça social.
Nem sempre esse instrumento funciona de forma adequada: Ex: segunda metade dos anos 80 no Brasil, tabelamento de preços no combate à inflação, em que muitos produtores que se julgaram lesados pelo fato do preço do seu produto ter sido fixado em um patamar muito baixo, simplesmente deixaram de ofertar o produto.
Desenvolvimento da Macroeconomia: Breve retrospecto
No início do século XX, as pessoas acreditavam que o mercado, deixado por si só, levaria a uma economia saudável com todos trabalhando (pleno emprego). Mas a crise de 1929 mostrou que isso não era verdade. Então, surgiu a macroeconomia, uma nova área de estudo que analisa a economia como um todo, focando em coisas como recessões (quando a economia vai mal) e inflação (quando os preços sobem muito). Uma das primeiras teorias macroeconômicas foi a Síntese Neoclássica, que dizia que a economia poderia estar tanto em pleno emprego quanto em recessão, dependendo das circunstâncias.
Outra teoria importante foi o Princípio da Demanda Efetiva, que dizia que a economia é impulsionada pelos gastos das pessoas e empresas. Se as pessoas gastarem mais, a economia crescerá. Se gastarem menos, a economia desacelerará.
Além da Síntese Neoclássica, surgiram outras escolas de pensamento econômico, cada uma com sua própria visão sobre como a economia funciona:
- Keynesianos: Acreditam que o capitalismo tem tendências a criar crises e que uma intervenção estatal no ordenamento econômico pode ser benéfico tanto para empresas quanto para empregados, evitando crises econômicas e controlando as já existentes.
- Monetaristas: Acreditam que o fator mais importante da economia de um país é o controle da moeda, ou seja, quanto dinheiro dessa moeda há em circulação e o valor dela no mercado.
- Marxistas: Analisam o capitalismo sob a ótica de Karl Marx, enxergando os problemas econômicos de forma sistêmica, buscando superar o sistema capitalista.
- Institucionalistas: Acreditam que as instituições governamentais desempenham um papel importante na forma como a economia funciona.
Na Macroeconomia, cada combinação afeta diferentes grupos na sociedade de diferentes maneiras (políticas de austeridade e taxa de desemprego, taxa de câmbio e preço dos produtos, etc) e qualquer escolha estará sujeita à objeção política pelos representantes dos grupos para os quais a escolha alternativa é pior. Na maioria dos países, é geralmente possível prever a alternativa de política econômica a ser escolhida, a partir do conhecimento prévio de que partido político deve assumir o poder.
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