Introdução ao Estudo da Defesa- Aula 8

 Guerra do Peloponeso

Essa guerra é extremamente importante para entendermos as Relações Internacionais. Ocorrida entre 431-404 antes de Cristo, envolveu a Liga do Peloponeso liderada por Esparta e a Liga de Delos, liderada Atenas. Atenas era uma cidade-estado em progresso que já havia conquistado boa parte das ilhas do Mar Egeu do Império Persa e estava se expandindo para o Mar Cáspio. Esparta, temendo essa ascensão, inicia uma guerra PREVENTIVA contra Atenas. Esparta acaba ganhando a guerra, entretanto, tanto ela quanto Atenas saíram do embate destruídos economicamente. A Macedônia, uma cidade-estado ao norte da Grécia, reunindo os saberes de toda a região da Grécia, se aproveitou disso para invadir e conquistar toda a Grécia.

Tucídides, historiador da época, observou situação das potências na história, observando como elas agiam e chegando a conclusão que sempre que uma nova potência emergente surge, ela se torna uma ameaça a potência vigente que visa defender o status quo. Essa ameaça leva a uma guerra PREVENTIVA por parte da potência vigente visando manter seu poder, oque levaria a um novo ordenamento político. O estudioso Graham T. Allison elaboraria esse conceito o nomeando como A Armadilha de Tucídides, examinando o contexto geopolítico atual com a China e os EUA e se os EUA conseguiriam escapar do destino de Esparta. 

Paz de Westfália

A Paz de Westfália, em 1648, marca o início do Sistema Internacional, com um conjunto de Estados soberanos regidos pelo Direito Internacional, negociado pelos representantes diplomáticos de cada Estado, sem um governo com pretensões mundiais, em um esquema de anarquia internacional. Ela deu fim a Guerra dos 30 anos que teve como protagonistas rivais Espanha e França. Entre os motivos religiosos de protestantes e católicos no Sacro Império, havia o interesse econômico, principalmente da Holanda que possuía grandes companhias privadas que financiavam colonização de territórios ultramarinos e desejava não pagar mais tributos a Espanha. 

A Guerra dos 30 Anos marca o fim do universalismo representado pela Igreja Católica e dá origem ao ordenamento europeu pautado pelo internacionalismo, que possuía os fundamentos da soberania máxima dos países em seus territórios e a anarquia dos sistema internacional, onde os países não poderiam ter sua soberania infligido por outra nação, com nenhuma das potências sendo superior a outra. 

Congresso de Viena

O Congresso de Viena, de 1815, marcou o início da Sociedade Internacional, com a reunião de potências em torno de interesses comuns, compartilhando valores e princípios de como estruturar a ordem mundial, tendo conformado o chamado Concerto Europeu, que levou, de forma geral, paz para a Europa por um século, de 1815 a 1914. 

A Revolução Francesa de 1789 culminou na subida de Napoleão Bonaparte ao poder da França, oque levou há uma década de guerras entre 1803 e 1815, terminando na Batalha de Waterloo. Após isso, houve pela primeira vez na Europa uma reunião entre as potências visando criar um ordenamento global, chamado de Congresso de Viena, que englobava Reino Unido, Prússia, Império Austro-Húngaro, Rússia e França, buscando evitar conflitos por disputas de interesse, a volta ao poder das monarquias europeias retiradas por Napoleão com base na legitimidade e o combate as ondas liberais, este último defendido principalmente por parte dos países da Santa Aliança (Prússia, Rússia e Império Austro-Húngaro). 

Esse congresso se reuniu algumas outras vezes até 1830. Ele estabeleceu oque ficou conhecido como Concerto Europeu, que foi um período de 1 século (1815-1914) marcado pela paz sem grandes guerras na Europa. O equilíbrio de poder foi um dos principais fundamentos do Concerto, onde nenhuma das potências poderia ter a capacidade bélica e de conquista que a França de Napoleão possuía, num sistema de freios e contrapesos. 

Paz de Paris

A Primeira Guerra deu fim à um longo período de paz na Europa, colocando as potências europeias em sua maior escala bélica em 100 anos. Esse conflito arrancou os recursos econômicos e de mão de obra da maioria dos países envolvidos, tanto os vitoriosos quanto os derrotados. A Paz de Paris, ocorrida através do Tratado de Versalhes, não deu origem a um novo ordenamento social, pois teve os ônus de humilhar a potência derrotada (Alemanha) de forma extrema pela potência vencedora (França). Isso criou um grande sentimento de revanchismo alemão que culminaria mais tarde na Segunda Guerra Mundial. 

Apesar dos pontos negativos, a Paz de Paria deu origem conceitos positivos que seriam melhor elaborados nas décadas seguintes, como o legado institucional da da Liga das Nações (que não prosperou pois, entre outros motivos, não englobava importantes países como EUA e URSS), os 14 pontos de Woodrow Wilson, que estabeleceu diretrizes a serem seguidas no sistema internacional e a Cátedra Woodrow Wilson que iniciou a pesquisa acadêmica de Relações Internacionais. 

São Francisco e Bretton Woods (1945)

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, uma nova ordem internacional hegemônica surge sob a égide dos Estados Unidos. A hegemonia americana não deve ser confundida com um imperialismo, pois este possui poder sob os demais Estados através de negociação e coerção. A ONU foi fundada em São Francisco, dando origem ao novo ordenamento internacional e os acordos de Bretton Woods estabeleceram as regras para o sistema internacional monetário internacional. 

Polos de Poder

  • Ordem Multipolar Oligopólica: Na ordem multipolar oligopólica, algumas potências principais detêm a maior parte do poder global. A dinâmica envolve cooperação e competição entre esses estados.

  • Ordem Bipolar: A ordem bipolar é dominada por duas superpotências, como durante a Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética. Cada uma lidera um bloco de aliados, geralmente representados pelos países da ''periferia internacional'', resultando em uma estabilidade relativa, mas com constante tensão e competições indiretas.

  • Ordem Imperial: A ordem imperial é caracterizada pelo domínio de uma nação ou império sobre outras regiões ou estados. O poder é centralizado no império, que exerce controle direto, muitas vezes através de força militar e administrativa, criando uma assimetria de poder entre o centro e as periferias dominadas.

  • Hegemonia: Na ordem hegemônica, uma única nação possuí grande capacidade de poder ou influência no sistema internacional, influenciando as regras e normas globais. Enquanto a hegemonia permanece forte, a estabilidade é mantida, com outros países ajustando suas políticas para se alinhar com a potência dominante.

  • Ordem Unimultipolar: A ordem unimultipolar combina uma superpotência central com várias potências regionais significativas. A superpotência, como os EUA pós-Guerra Fria, lidera globalmente, mas enfrenta desafios de outras potências regionais que possuem considerável influência, necessitando de negociação e, às vezes, competição.







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