Introdução ao Estudo da Defesa- Aula 9

 Ordem Mundial Contemporânea

Interdependência Complexa e Assimétrica

Hobsbawn considerou o período de 1945 à 1973 o período da Era de Ouro do Capitalismo, onde a terceira revolução industrial trouxe diversas inovações tecnológicas. O custo de mão de obra se elevou, os direitos trabalhistas se tornaram mais caros para as empresas, entretanto, o consumo atingia níveis extremamente altos junto com a qualidade de vida. O mundo, desde a revolução no uso de combustíveis derivados de petróleo para mover máquinas, se sustentou fortemente nessa commodity para fortalecimento da indústria. Após a formação do cartel da OPEP e a elevação forçada dos preços do petróleo por este cartel em 1973 em protesto as políticas americanas no Oriente Médio, o preço da commodity aumentou elevadamente, oque consequentemente levou a um aumento de preços de todos os produtos em gerais, levando a uma crise generalizada tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.

Após esse choque, os países desenvolvidos passaram a mudar o sistema econômico visando maximizar o lucro através da diversidade de cadeia produtiva e da priorização do setor financeiro. As indústrias de produtos manufaturados passaram a ser localizadas em países em desenvolvimento como os Tigres Asiáticos (Taiwan, Hong Kong, Singapura e Coréia do Sul) através de ''holdings'', que são outras empresas subordinadas a uma empresa principal localizada em algum paraíso fiscal (como Suíça) mas que focam na parte de produção. A priorização do setor financeiro se deu através dos bancos, bolsa de valores e financiamento, com as empresas oferecendo o financiamento de móveis e imóveis visando obter lucro através dos juros, oferecendo também o cartão de crédito como um meio de maximizar o gasto dos consumidores e passando a focar atenção em ativos financeiros como em bolsas de valores.

No cenário Geopolítico, os governos passaram a fazer intervenções mais constantes no Oriente Médio, seja através de negociação e alianças com países locais (como Arábia Saudita) ou através de invasões (como no caso do Iraque). Os bancos internacionais como o FMI passaram a exigir cada vez mais políticas econômicas liberais dos países em desenvolvimento para renegociação de dívida e oferecimento de crédito, como privatização de empresas e abertura de mercado. 

O Fim da História e o Último Homem

O Fim da História foi um termo criado pelo acadêmico Francis Fukuyama, buscando explicar como o fim da Guerra Fria e a vitória dos EUA e das democracias liberais sobre o comunismo representava o fim de uma história de guerras na humanidade. Se baseando na tese de Hegel, que diz que uma tese é contraposta por uma antítese levando a uma síntese, a derrota do comunismo soviético acabaria com esse processo, pois agora, em um mundo de democracias liberais que tendem a não guerrear com outras nações ou entre si, o mundo estaria mais propício a uma evolução tecnológica e de direitos considerável. 

Choque de Civilizações

O acadêmico Samuel Huntington criticou a ideia de Fukuyama. Huntington acreditava que as guerras não iriam acabar, elas apenas deixariam de ter as ideologias como motor de incentivo, passando a ter um sentido mais primário, com base em características como na cultura e na religião. Samuel Huntington elaborou um mapa ilustrando oque considerava ser as 9 civilizações existentes no mundo e que teoricamente explicaria as divergências e conflito entre as diferentes regiões do mundo. 



Poder Global em Transição e Difusão 

Para Joseph Nye, o poder global estaria se deslocando do Atlântico Norte para o Pacífico, em regiões economicamente essenciais como Taiwan, China e Japão. O foco de atenção das potências também estaria mudando, levando a mais acordos econômicos e alianças militares com países asiáticos como a AUKUS (Reino Unido, Estados Unidos e Austrália). Para ele o poder estaria cada vez mais difuso no globo, se concentrando cada vez menos em um país específico. 

A Tragédia da Política das Grandes Potências

Para John Mearsheimer, toda grande potência deveria aproveitar qualquer brecha para expandir o seu poder a fim de sustentar seu status global de grande potência. Esse status, entretanto, é mantido tragicamente às custas de guerras. A exemplo dos Estados Unidos e a Rússia que fazem intervenções militares em outros países visando manter ou aumentar sua influência naquela região. Os Estados Unidos hoje mantém grande parte de seus gastos governamentais em gastos militares, constantemente evoluindo tecnologicamente e quantitativamente o setor militar. 

O Retorno da Geopolítica e a Nova Multipolaridade

O fim da Guerra Fria e a queda da URSS levou a uma expansão dos Estados Unidos pelo mundo, influenciando cada vez mais em países e regiões de alta relevância global como Taiwan, oriente médio e leste europeu. Embora haja uma multipolaridade econômica em diversos setores, hoje os EUA ainda mantém a maior parte dos gastos militares globais, incluindo a OTAN, possuindo alta influência geopolítica e diversas bases militares no globo. 




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