Geopolítica- Aula 1

Oque é geopolítica?

Geopolítica envolve relações de poder, englobando diversos atores estatais e não estatais. Segundo Kjellen, Geopolítica é o estudo do Estado como organismo geográfico, isto é, como fenômeno localizado em certo espaço da Terra, logo do Estado como país,  como território, como região ou, mais caracteristicamente, como Reich.

As características físicas dos países influenciam diretamente em como ele se posiciona no cenário internacional. O Chile, por exemplo, por ter a Cordilheira dos Andes a Leste, se interessa muito mais em ser uma potência marítima do pacífico ao Oeste. Alguns autores vão dizer que os fatores geográficos influenciam mas não são determinantes para o sucesso ou fracasso de um Estado. Um país como Japão, com seus terremotos e poucos recursos minerais, tinha tudo para dar errado olhando pelo fator geográfico, mas que teve um sucesso econômico e geopolítico significativo.

Para Fiori, a Geopolítica é um conhecimento estratégico e normativo, que avalia e redesenha a própria geografia a partir de algum projeto de poder específico, defensivo ou expansivo. Tudo isso é diferente para cada país, cada Estado possui uma Geopolítica e um cenário diferente.


Geografia política vs Geopolítica

A Geopolítica é um ramo da ciência política, que estuda as evoluções dos Estados com finalidades políticas e serve de guia para a condução política do Estado, enquanto a Geografia Política é do ramo da Geografia, e estuda a geografia como moradia da sociedade humana, estudando o passado e presente do Estado. Resumidamente, a Geografia  Política é analítica e estática enquanto a Geopolítica é estratégica e dinâmica.

É importante se notar as características dinâmicas e mutáveis das Geopolíticas dos Estados, com seus interesses mudando conforme a época e cenário atual. A China no século passado se preocupava mais com a eliminação da pobreza, enquanto a de hoje se preocupa mais com uma política econômica expansionista.


Conceituação da Geopolítica

A Geopolítica é específica de cada Estado territorial, um mesmo modelo geopolítico não serve para todos os países, devido a suas variáveis históricas e territoriais. A Geopolítica é dinâmica, oferecendo uma proposta específica de mundo, que são diferentes entre os países.


Geopolítica estratégica

A Geopolítica é também um método de estudo dinâmico da influência de fatores geográficos no desenvolvimento dos Estados com a finalidade de orientar suas políticas internas e externas. É um método que estuda a política derivada de aspectos geográficos, sendo uma ferramenta de análise de política externa que prospectar o comportamento político internacional, principalmente em termos variáveis espaciais.


Cartografia e as projeções de poder

Cartografia é os estudos dos mapas. Os mapas são a reprodução mais antiga do pensamento geográfico. Foi concebida como ciência da representação gráfica da superfície terrestre. No entanto, ela não é imparcial, ela nunca foi uma ciência neutra. Mapa também é poder, pois prospecta um visão de mundo específica de quem o faz ou de quem ordenou sua concepção, sendo uma representação adaptada da realidade, que promove relações de poder.

O mapeamento é uma manifestação das Relações de dominação existentes no plano internacional, cujas distorções ocorrem através  de três mecanismos principais: escala, projeção e simbolização. Historicamente, as duas projeções cartográficas mais conhecidas são a de Mercator e a de Peters. Arquitetada no século XVI, a projeção cilíndrica de Mercator foi a mais utilizada por navegantes. Esta projeção respeita a forma dos continentes mas não seus tamanhos.  Em contrapartida, a projeção  de Peters, datada da década de 1970, trata de uma projeção cilíndrica, que preserva as dimensões dos continentes mas não suas formas, dando um maior destaque ao sul global.

Para Boron, a representação Cartografia oficial, baseada na projeção de Mercator, é a expressão oficial do sistema imperialista. O mapa de Peters, por outro lado, sendo uma área equivalente, destaca a superfície real de cada um dos países com base em dados mais precisos.

As distorções mencionadas não são apenas questões técnicas, mas obedecem a decisões essencialmente políticas e ideológicas ligadas ao exercício do poder. A criação de mapas era comumente controlada pelos governos e quase sempre nas mãos de agências ou escritórios pertencentes às forças armadas. Na moderna sociedade ocidental, os mapas rapidamente se tornaram cruciais para a preservação do poder estatal, se expandido para o setor privado como através do Google Maps.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Teoria das Relações Internacionais II- Aula 5

Teoria das Relações Internacionais II- Aula 8

Teoria das Relações Internacionais II- Aula 4