Macroeconomia- Aula 3
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Sistema Monetário Internacional
O objetivo da existência desse sistema foi coordenar e promover a estabilidade monetária a nível mundial. Para que esse sistema seja considerado internacional, devem ocorrer simultaneamente três requisitos: regime de taxa de câmbio (método para definir o valor de uma moeda em relação a outra), regime de reservas (coordenação de um regime de reserva de valores) e mecanismos de ajuste (mecanismo acordado de como eventuais problemas e desequilíbrios serão solucionados). Hoje em dia não há nenhum sistema monetário internacional nos moldes do passado.
Padrão-ouro
O primeiro sistema monetário internacional é o padrão-ouro, que durou de 1873 a 1914. O ouro era o intermediário para a valorização de todas as moedas. Basicamente, sabia-se o quanto uma moeda valia com base no ouro. Era estabelecido um regime de taxa de câmbio fixa, com o valor da moeda em relação ao ouro não mudando. A moeda era lastreada em ouro, ou seja, o valor da moeda era calculado com base nas reservas em ouro do país. O mecanismo de ajuste era a transferência de ouro.
Esse sistema acabou na Primeira Guerra Mundial, pois os países venderam suas reservas para financiar a guerra, e as reservas de ouro não eram compatíveis com o número de moedas que circulava.
Padrão câmbio-ouro
Foi o segundo sistema monetário internacional, que durou de 1925 a 1931. O ouro ainda possuía relevância como reserva de valor, mas a diferença é que a moeda do país poderia ser baseada nas reservas de moedas de outro país, como a libra esterlina.
Esse sistema acabou após a crise de 1929, pois os países passaram a não conseguir guardar suas reservas, tendo que gastá-las para reorganizar suas economias frágeis.
Padrão dólar-ouro
Também conhecido como sistema de Bretton Woods, durou de 1946 a 1971. Após a Segunda Guerra, a libra esterlina perdeu valor, com o dólar despontando como a principal forma de reserva de valor, junto com o ouro. O FMI surge junto a esse sistema, como um mecanismo de ajuste para auxiliar problemas econômicos de países.
Esse sistema acabou porque o governo americano fez muitas políticas de desvalorização da moeda, fazendo com que as moedas dos EUA não se equiparassem mais com as reservas de ouro que se tinham. Graças a isso, os países puderam fazer suas reservas de valor baseadas em qualquer moeda que quisessem, embora o dólar seja a moeda de referência, por ser a moeda de maior circulação mundial, mas não é obrigatório. O FMI também continuou até hoje como um mecanismo de ajuste utilizado pelos países.
Política Fiscal
É uma política que trata principalmente dos gastos e arrecadação do governo, a relação entre eles e como são feitos. Os gastos do governo são divididos em duas correntes:
Despesas correntes:
São os gastos que são feitos de forma recorrente e geralmente envolvem cinco rubricas: pessoal (pagamento de funcionários públicos), assistência e previdência (recursos disponibilizados para assistências sociais, no Brasil é o dinheiro que é reservado no INSS), compras governamentais (tudo o que o governo compra para suas atividades, como material, feita geralmente por meio de licitação), juros (são gastos feitos com os juros de dinheiro recebido de fora, como bancos mundiais) e subsídios (são gastos feitos para diminuir os custos de certas atividades, como meia passagem, restaurante universitário etc.).Despesas de investimento:
São gastos pontuais, feitos para motivos específicos, como a construção de uma hidroelétrica. Elas são separadas porque têm um marco de investimento muito maior, com retorno financeiro a longo prazo.
Arrecadação
Existem dois cenários nessa relação de gastos e arrecadação: o de superávit (arrecadação maior que os gastos) e déficit (arrecadação menor que os gastos).
Déficit ou Superávit Público
São todos os gastos e arrecadação do governo somados. A partir desse valor, observamos os outros tipos de déficit ou superávit que são:
- Operacional: desconsidera nesse cálculo de soma entre gasto e arrecadação a inflação, não a levando em conta.
- Primário: são todos os gastos e arrecadação somados, tirando os juros.
- De caixa: é o cálculo das contas do governo no Banco Central.
Riscos da Dívida Pública
O principal risco de um país com dívidas altas é que ele se torna um país visto com desconfiança para investimentos de outros países. Existem agências que ranqueiam os países por rating para investimento, com base em um cálculo de risco-país. Se o país tiver um risco de investimento alto, ele tem uma posição baixa no ranking. Isso coloca uma pressão no governo para que aumente sua forma de arrecadação, como por meio de aumento da carga tributária. Existem dois tipos principais de imposto:
- Taxa: é um tributo que tem um valor e objetivo pré-definidos. Um valor para a confecção de um passaporte, por exemplo, só serve para aquele passaporte, não tem outro objetivo.
- Imposto: é um tributo que não tem objetivo pré-definido; ele cai na conta do governo e pode ser gasto da forma que quiser. Existem dois tipos diferentes de impostos:
- Diretos: são os impostos progressivos, que são diretamente proporcionais à sua renda, como imposto de renda e IPTU.
- Indiretos: são os impostos que não variam conforme a renda, e são pagos igualmente por todos.
O que acontece no Brasil é o imposto bipartido, em que os materiais que vão servir para um produto de valor agregado possuem imposto e esse produto também, com esse valor sendo repassado no preço final.
Cada governo formula sua política fiscal com base nas prioridades do país e na sua estratégia econômica. A tendência de altos gastos em governos passados criou uma ideia de responsabilidade e austeridade fiscal, onde os governos têm que receber primeiro para poder gastar.
Novo Arcabouço Fiscal e Teto de Gastos
Faz parte de uma tendência global de tentativa de equilibrar as contas. Os objetivos são o equilíbrio fiscal, controle de dívidas, redução de juros e crescimento econômico. Eles funcionam por meio de metas, que se baseiam em resultados primários (arrecadação menos despesa igual a resultados primários). Atingindo esses resultados, aciona-se um dispositivo que aumenta as despesas até um certo limite. Basicamente, você pode aumentar suas despesas independentemente do cenário econômico, mas se a arrecadação aumentar, a despesa pode aumentar mais. Esse arcabouço foi aprovado em 31 de agosto de 2023, recebendo elogios e críticas.
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