Teoria das Relações Internacionais- Aula 5
Positivismo e Behaviorismo
As Relações Internacionais e o problema da ciência
Os primeiros fundadores das Relações Internacionais tinham um pensamento científico, com a ideia do estudo da Teoria das RI como método científico já sendo existente desde sua concepção. No início do século XX, existiu uma elite de pessoas que fundaram os pensamentos das Relações Internacionais, e que tentaram consolidar a disciplina no meio acadêmico. O discurso científico entra desde o início para dar respaldo à criação dos estudos das RI, com o realismo clássico ganhando destaque dentro dos estudos das relações internacionais. Entretanto, a academia americana nos anos 50 será caracterizada pelo behaviorismo, que tentará trazer uma maior cientificidade para as RI por meio de uma metodologia e uma visão empírica sobre o assunto
Carr
Essa ideia de ciência dentro das RI surge em sua formação, com Edward Carr, um teórico realista clássico. Para ele, o problema da ciência como uma ferramenta útil de conhecimento está entre utopia e realidade. A ciência se cria quando se desenvolve de uma ferramenta para algo que questiona e organiza a realidade. Dentro dessa lógica, para ele, Platão foi um dos primeiros cientistas. Um bom cientista encaixa suas ideias dentro da realidade, enquanto um mau cientista tenta encaixar a realidade dentro de seus conceitos.
Morgenthau
Morgenthau foi um autor mais tradicionalista, acreditando que a base do conhecimento social demanda explorar as capacidades de determinadas tradições de pensamento. Não existe ideia que surja do zero, sendo importante entender a tradição de pensamento à qual você está alinhado. Para ele, existem as tradições idealista e realista. O idealista é quem pega princípios particulares e tenta aplicá-los como princípios universais. O realista, por sua vez, acredita que não existem princípios morais universais. O realismo é bom porque orienta os estadistas a tomarem decisões mais responsáveis, evitando a fatalidade de suas populações por meio de decisões mal feitas baseadas em princípios próprios.
A ciência no segundo debate de Relações Internacionais
No pós-Segunda Guerra Mundial, os EUA assumem um papel muito importante no cenário internacional, tanto no cenário científico quanto econômico, com a academia americana desempenhando um grande papel no estudo das Relações Internacionais. O positivismo, amplamente aceito no final do século XIX e início do século XX, inspirado em teorias evolucionistas e guiado por uma evolução constante das sociedades, será substituído pelo positivismo contemporâneo. Após a Primeira e Segunda Guerra Mundial, há um grande momento de pessimismo, com a visão positivista convencional perdendo ainda mais espaço no meio acadêmico.
Behaviorismo
Behaviorismo vem de "behavior", que significa comportamento. Para os behavioristas, as teorias mentalistas eram um problema, pois focavam suas análises no inconsciente, algo extremamente subjetivo. O problema era que não havia método ou forma empírica observável para transformar isso em ciência de forma prática. Por isso, no behaviorismo, a observação do comportamento é mais importante, funcionando em um método de análise estímulo-resposta. Um psicólogo behaviorista lidando com um paciente que tem claustrofobia, por exemplo, observaria os estímulos que o indivíduo tem com a imagem do elevador e as respostas que ele apresenta, e a partir dali gerar tratamento. Dentro das Teorias das RI, é exigido que acadêmicos utilizem formas claras e objetivas para que se enxerguem de maneira precisa os problemas e ganhos, déficits e superávits de uma determinada observação. Assim, estudos baseados em dados, cálculos e gráficos ganham mais destaque.
Essa metodologia behaviorista necessitava de uma epistemologia, ou seja, conhecimento científico, onde tal método tivesse uma fundação. Assim, tem-se a ideia de Positivismo Contemporâneo, que possui quatro bases fundamentais:
- Naturalismo: ela pega métodos de ciências naturais consolidadas para aplicar em outras ciências.
- Neutralidade: a opinião ou visão de quem observa não deve influenciar o resultado final de uma pesquisa.
- Leis Gerais: a ciência precisa de regularidade; a observação em si não proporciona conhecimento. O experimento só se torna ciência quando se estuda uma série de experimentos que permitam reconhecer algo não arbitrário, possibilitando a criação de leis que vão explicar o funcionamento daquele mundo.
- Verificação Empírica: Abordagem científica, baseada na coleta de dados usando evidências obtidas através da observação ou experiência. Assim formas visuais e calculáveis de representação como gráficos acabam ganhando espaço no meio científico.
Crítica das Abordagens Clássicas
- A Natureza Humana: Esses novos pesquisadores criticam os métodos e resultados anteriores. O que o realismo clássico de Morgenthau considerava mais fundamental em sua metodologia era a natureza humana. O problema é que a natureza humana é muito subjetiva, o que gera um conhecimento incapaz de gerar metrificação e previsão.
- Caráter indutivo: As leis de Morgenthau eram leis históricas, extraídas da experiência e convertidas em conceitos. O problema é que esse método é fundamentalmente indutivo, tirando algo do particular e aplicando-o ao geral. Isso pode gerar bons conselhos no curto prazo, mas, a longo prazo, leva a confusões. A alternativa apresentada pelos positivistas contemporâneos é sistematizar e estabelecer princípios matemáticos para que haja utilidade prática.
- Caráter prescritivo: O realismo clássico tem um alto grau de ceticismo devido ao contexto em que surgiu, onde o papel do conhecimento estava voltado para resolver um problema específico: a guerra. O acadêmico Waltz vai dizer que "guerras" são como terremotos, fenômenos que acontecem e que são analisados e estudados não para evitá-los, mas para entender sua natureza e saber como lidar melhor com eles.
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