Geopolítica- Aula 6

 Geopolítica da Guerra Fria e Confronto EUA x URSS

Breve contexto da Guerra Fria
A Guerra Fria foi um período marcado por um conflito político-ideológico entre EUA e URSS entre 1947 e 1991. Esse período polarizou o mundo em dois grandes blocos, um alinhado ao capitalismo e outro ao comunismo.

Entre as características que marcaram esse momento, pode-se destacar:

  • Polarização do mundo
  • Corrida Armamentista
  • Corrida Espacial
  • Criação da ONU

Teve como causas a rivalidade ideológica, caracterizada pela polarização, e teve como consequência o fim do socialismo. Seus eventos marcantes foram a Guerra da Coreia, a Crise dos Mísseis, a Guerra do Vietnã e a Guerra do Afeganistão.

Principais eventos da Guerra Fria

  • Doutrina Truman: conter o avanço do socialismo
  • Plano Marshall: financiar a reconstrução dos países europeus
  • Pacto de Varsóvia: acordo militar dos países comunistas, criado em 1955
  • OTAN: acordo militar dos países ocidentais, criado em 1949

Símbolo da Guerra Fria: Muro de Berlim
A Alemanha foi palco central deste conflito, sendo dividida entre os aliados que saíram vitoriosos após a Segunda Guerra. A divisão dos blocos ocidental e socialista foi feita na cidade de Berlim, com um muro de 3 metros e 45 quilômetros de extensão, que serviu de símbolo durante todo o período. ]

Zbigniew Brzezinski e o Grande Jogo
Nascido em 1928 na Polônia, Brzezinski foi um cientista geopolítico, político e estadista americano, que teve influência intelectual nos EUA até sua morte em 2017. Ocupou cargos importantes, como assessor do presidente e diretor do Conselho de Segurança Nacional durante o governo de Jimmy Carter. Suas atividades políticas e diplomáticas se desenvolveram no contexto da crise da détente, a partir de 1979, com a invasão do Afeganistão pela URSS. Em 1981, com a volta dos republicanos ao poder, Brzezinski retornou à carreira acadêmica, trabalhando como professor.

Realismo de Brzezinski
Brzezinski tem uma visão de mundo realista maquiavélica hobbesiana na análise das Relações Internacionais, com um enfoque normativo e prescritivo na abordagem de segurança americana. É influenciado por Mackinder e Spykman, assimilando as estratégias da Teoria do Rimland como forma de conter o poder terrestre.

Principais conceitos da Geopolítica de Brzezinski

  • Natureza da confrontação militar
  • Geoestratégia para a Eurásia
  • Imperativos estratégicos dos EUA
  • O grande desafio
  • O grande tabuleiro de xadrez

Natureza da Confrontação Bipolar
Brzezinski caracteriza a competição EUA-URSS como uma rivalidade histórica travada entre dois grandes impérios de abrangência e alcance mundial. Para ele, é um confronto histórico porque pode se estender por várias décadas e um confronto clássico devido à oposição entre as potências oceânicas e terrestres.

Os diferentes sistemas políticos, econômicos e ideológicos são vistos como causa necessária, mas não suficiente, para explicar a real natureza da confrontação americano-soviética.

A natureza do confronto tornou-se duplamente global: primeiro, porque possui um raio de ação planetário; segundo, porque implica uma concorrência multidimensional (militar, política, econômica e ideológica) entre as superpotências.

O tema da confrontação EUA-URSS é introduzido a partir de uma digressão geopolítica sobre o papel que os mapas podem desempenhar na definição de uma visão global dos assuntos mundiais: tanto os mapas da URSS quanto os dos EUA serão utilizados para a análise da confrontação entre as superpotências.

Lógica Geoestratégica Soviética
A geoestratégia soviética é determinada por dois objetivos principais: no plano defensivo, impedir o cerco político-militar dos americanos e de seus aliados eurasianos; e no plano ofensivo, romper as ligações entre os EUA e as duas extremidades eurasianas.

Na frente do extremo oeste, Moscou buscou uma estratégia de atrito político para alcançar a neutralização progressiva e fragmentada da Europa Ocidental. Na frente do extremo leste, os soviéticos confiaram em táticas de diplomacia e propaganda, em vez de pressão militar ou subversão. Na frente sudoeste, pressão militar, subversão, diplomacia e propaganda foram os instrumentos da política soviética, e as perspectivas de um avanço soviético eram muito maiores nessa frente do que nas outras.

Lógica Geoestratégica Estadunidense
Para os EUA, uma vez que o poder militar soviético fosse neutralizado, a URSS deixaria de ser um rival historicamente ameaçador. Para neutralizá-los, os EUA deveriam manter uma capacidade militar suficiente para mitigar o poder da URSS em diversos cenários.

Com uma estratégia integrada, os EUA deveriam ser capazes de manter uma dissuasão estendida, negar aos soviéticos uma rápida vitória convencional em qualquer teatro e garantir uma derrota militar soviética convencional no caso de um confronto não eurasiano.

Geoestratégia para a Eurásia
Embora a confrontação bipolar se estenda pelo mundo todo, seu principal foco estratégico é a luta das superpotências pelo domínio da Eurásia para a obtenção da preponderância mundial.

A URSS detém na Eurásia uma situação geográfica simultaneamente excepcional e problemática. É nesse contexto que se desenrola a luta entre as superpotências pelo domínio da Eurásia. A luta pela Eurásia é travada em três frentes estratégicas centrais: extremo oeste, extremo leste e sudoeste.

Frentes Estratégicas Centrais
A primeira e principal frente estratégica central é a Europa, com a OTAN formada para impedir o avanço soviético. A segunda frente estratégica central é o Extremo Oriente, importante por controlar as saídas do Pacífico, com os EUA formando alianças com países insulares, e uma única cabeça de ponte sendo a Coreia do Sul. A terceira frente estratégica central é o sudoeste asiático, que forneceria uma enorme vantagem competitiva à URSS nas outras duas frentes, sendo a balança geopolítica. Surge em 1979 após a crise no Irã e a invasão do Afeganistão pela URSS. Ela possui as principais reservas de petróleo do mundo e rotas estratégicas que abastecem os EUA e o Japão.

Frente Estratégica do Ventre Mole
A fronteira marítima do sudoeste asiático é denominada de ventre mole eurasiano, por ser o ponto mais crítico e vulnerável das três frentes estratégicas basilares. O principal objetivo da frente sudoeste da Ásia é impedir o domínio do Golfo Pérsico pelos soviéticos e barrar seu acesso às saídas para o Índico.

Imperativos Estratégicos dos EUA
Brzezinski determina as prioridades geoestratégicas americanas para a próxima década, três delas concernentes às frentes estratégicas basilares e uma última relativa ao próprio império soviético.

Na frente ocidental, a prioridade geopolítica é o fortalecimento da parte europeia ligada aos EUA por laços históricos e culturais. Na frente oriental, a prioridade geopolítica deve ser a formação do triângulo estratégico do Pacífico. A frente sudoeste asiático é a mais frágil, sendo necessário apoiar ativamente as forças de resistência e aumentar a ajuda econômica e militar, principalmente no Oriente Médio.

Finalmente, a última prioridade geopolítica concerne em apoiar as manifestações de inconformismo político e as reivindicações de maior autonomia e liberdade dos países satélites da Europa Oriental.

Prioridades Geopolíticas
Para Brzezinski, existiriam três prioridades geopolíticas e de segurança para os EUA:

  • Primeiro, somente através do domínio oceânico os EUA têm tido a capacidade de impedir que as periferias vitais do continente eurasiano caíssem em mãos soviéticas.
  • Segundo, se a URSS controlar todo o continente eurasiano, poderá incentivar revoltas contra os EUA.
  • Terceiro, impedir que a URSS alcance o controle extra-continental por mar e terra.

O Grande Desafio
A obra Game Plan realiza uma análise geopolítica e estratégica do conflito americano-soviético, promove um balanço global da confrontação Leste-Oeste, sugere linhas de ação para a política de segurança nacional norte-americana e esboça cenários sobre os possíveis desdobramentos da rivalidade entre as duas superpotências. Segundo o autor, pretendia ser um guia prático para a ação.

Game Plan tem como proposição básica a natureza histórica, o caráter imperial e a dimensão global do confronto entre EUA e URSS. Seu enfoque não privilegia enfoques ideológicos, mas sim os aspectos geopolíticos e estratégicos.

Influência das Potências sobre Estados-pivô ou Estados-pinos
A disputa sino-soviética desenvolve-se ao longo de três frentes basilares. Ao longo dessas frentes existem determinados países que são chamados de Estados-pinos geopolíticos. O controle desses Estados-pinos é uma questão vital porque sua perda por qualquer dos contendores pode alterar radicalmente a correlação de forças nas três frentes estratégicas basilares. Os Estados-pinos geopolíticos cruciais na frente ocidental eurasiana são a Polônia e a Alemanha; na frente oriental, a Coreia do Sul e as Filipinas;

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