Interpretações do Brasil- Aula 4
Novo Trabalho Escravo
A escravidão no Brasil e o trabalho escravo não acabaram; mais de 1 milhão de brasileiros vivem em "escravidão contemporânea", sendo o país o 11º no ranking mundial. Trabalho escravo é composto por várias características, e uma delas já é suficiente para configurar essa prática, como condições degradantes, trabalho forçado e jornada exaustiva. A maioria desses trabalhos está no meio rural, sendo a maior parte das vítimas composta por pessoas não brancas.
Algumas características diferenciam a escravidão antiga da contemporânea. Antigamente, a escravidão era legalizada; hoje é proibida. Antigamente, era caro adquirir um escravo, enquanto hoje é barato. A disponibilidade era escassa, mas hoje em dia é descartável. O lucro antes era baixo devido aos custos, mas hoje é alto. O relacionamento entre escravizador e escravizado antes era longo; hoje é curto. Fatores étnicos antes eram relevantes para a escravidão, mas atualmente têm pouca relevância. No entanto, ameaças e violências continuam a existir.
Antigamente, o Brasil não reconhecia a escravidão como algo ainda existente, apenas admitindo sua continuidade em 1995, quando passou a fornecer estatísticas sobre o número real de escravizados por meio de um departamento no Ministério da Justiça. De 2007 a 2008, 12 mil trabalhadores foram resgatados. Em 2016, o Brasil foi colocado no banco dos réus pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por omissão ao trabalho escravo. A maior parte desse trabalho escravo está no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Grandes obras também utilizaram trabalho escravo como mão de obra.
Sobre atualizações da senzala
A maior parte dos presos no Brasil são pessoas não brancas, com baixa escolaridade, e a população carcerária tem crescido cada vez mais. A maior parte dos crimes cometidos por esses presos são não-violentos, e 40% deles estão aguardando julgamento. A taxa de mortes dentro dos presídios é sete vezes maior que no restante do Brasil.
Homicidômetro geral
O Brasil é o país com mais homicídios no mundo, com 59 mil mortes em 2017 e uma taxa de 29 mortos por 100 mil habitantes. A maior parte das vítimas são homens jovens, compondo 53,8% dos casos totais. Entre as mulheres, a maior parte das vítimas de homicídio são pessoas não brancas. Autos de resistência ocorrem quando um policial mata em legítima defesa. O Rio de Janeiro é recordista nesse tipo de caso, sendo as maiores vítimas pessoas não brancas.
Capitalismo
No capitalismo, qualquer coisa pode virar mercadoria, como a água, o carbono e até sentimentos. Ele é um sistema aberto, que está sempre deslocando e ampliando seus limites, assimilando culturas, pessoas e sentimentos. O capitalismo está sempre internalizando o que é externo. Para algo ter valor econômico, é necessário que seja comercializável.
No século XIX, a riqueza de uma pessoa era calculada pelo número de escravos que ela possuía. O mercado de pessoas era muito organizado, permitindo que os escravos fossem alugados, vendidos, hipotecados, trocados, etc.
O emprego doméstico no Brasil
No Brasil, o trabalho doméstico representa 7% dos empregos no país e 15% dos empregos ocupados por mulheres. 93% das empregadas domésticas são do sexo feminino, sendo a maioria composta por mulheres não-brancas.
Processo de escravidão
O processo de escravidão em massa não foi um fato acidental da história moderna, algo marginal ou localizado. Ele foi crucial para a formação do sistema capitalista, pois permitiu a acumulação de capital na Inglaterra e, posteriormente, na Europa Ocidental. Até 1492, inexistia a ideia de Europa como unidade e de europeus como povos brancos, assim como o conceito de raça. Isso só se desenvolveu a partir do século XIX.
A partir de 1492, o mundo se tornou globalizado, havendo, assim, a conexão das partes do mundo por meio da conquista, que envolveu a conquista material, ideológica e espiritual. A questão era: quem podia ou não ser convertido, e, portanto, salvo. A partir daí, começou-se a converter os indígenas ao cristianismo, para que fossem "salvos". O mesmo se fazia com os escravizados, acreditando-se que estavam sendo resgatados.
Em 1500, quando selvagem e civilizado se encontram, surge a questão: quem é realmente o civilizado? Para justificar a escravidão, os portugueses recorreram à religião, utilizando a história da maldição de Cam. Segundo essa narrativa, Cam foi amaldiçoado por zombar de seu pai Noé, e a maldição recaiu sobre seus descendentes, identificados como etíopes, ou seja, os africanos. Essa história reforçou a ideia de que "sou escravo porque pequei". No entanto, a partir do século XIX, a justificativa religiosa perdeu força e foi substituída por argumentos econômico-políticos, que passaram a ver a escravidão como uma necessidade social.
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