Macroeconomia- Aula 7

Sistema Financeiro Internacional

Durante a Segunda Guerra, em 1944, já existia um desenho de que a balança de poder estava a favor dos aliados. Os países aliados estavam preparando uma nova ordem mundial que viria após a vitória destes, já havendo diversas conferências sobre esse tema. Uma dessas conferências foi a Conferência de Bretton Woods, nesse ano, que tinha como objetivo pensar na reestruturação da ordem mundial na área monetária e financeira após o conflito.

Durante a conferência, houve um embate entre duas linhas principais, a de Keynes e a de White. Keynes representou o Reino Unido, enquanto White representou os Estados Unidos. Ambas as propostas partiam de pontos similares, como uma nova organização que evitasse conflitos na área econômica que se estendessem para um conflito armado, com instituições e regras comuns. Eles discordavam em relação aos instrumentos, sobre como seriam alcançados os objetivos. O Reino Unido tinha o interesse de continuar a primazia da Libra Esterlina e adotar medidas protecionistas, e os Estados Unidos tinham uma ideia mais de livre-comércio, com menos protecionismo.

Keynes
A proposta de Keynes foi a proposta perdedora. A ideia de Keynes era criar três novas instituições que regulariam o sistema econômico pós-guerra: a União Internacional de Compensações, que seria um banco central mundial, com uma moeda comum chamada bancor; a segunda era a criação de um fundo que auxiliaria a reconstrução dos países afetados pela guerra por meio de doações de outros países menos afetados; e a terceira era a criação da Organização Internacional do Comércio, cuja criação foi aprovada na conferência, mas nunca saiu do papel. O que prevaleceu foi o acordo GATT, que foi sucedido pela OMC, tendo o papel de regular o comércio entre os países.

White
Foi a proposta vencedora, tendo também a proposta da OIC que não saiu do papel. As duas principais propostas foram o Fundo Monetário Internacional e o Banco para Reconstrução, invertendo a ordem de Keynes. Os EUA não queriam uma nova moeda, pois queriam o dólar como principal moeda para o comércio global, sendo o FMI a forma para que sua moeda fosse utilizada. O Banco para Reconstrução também servia como fonte de empréstimo em dólar para os países.

Fundo Monetário Internacional
Funções:
a) Regulação das Taxas de Câmbio: evitar que os países usassem o câmbio para prejudicarem uns aos outros.
b) Empréstimos em caso de déficit no Balanço de Pagamentos: caso um país tivesse um grande déficit na balança de pagamentos, o FMI poderia emprestar dólares para esse país equilibrar sua balança, que seriam pagos de forma contínua pelo país.
c) Direitos Especiais de Saque: em 1977, o FMI adquire uma nova função, os Direitos Especiais de Saque, que é uma moeda interna do Fundo, feita para converter as moedas sem uma moeda intermediária com o FMI, recebendo, ao invés de taxas, Direitos Especiais de Saque.

Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD)
O foco do BIRD no início da sua fundação era a reconstrução dos países afetados pela guerra, emprestando dinheiro para países como Alemanha, França, Bélgica, etc. Hoje em dia, o BIRD é um braço do Banco Mundial, sendo incorporado por este.

Contexto
Essas instituições passaram a funcionar a partir de 1947. Nesse mesmo ano, a Guerra Fria tem início, graças à publicação da doutrina da contenção ao comunismo. Ao mesmo tempo, os países passaram a adotar políticas capitalistas protecionistas. Harry Truman chega à presidência dos EUA, adotando uma nova política econômica bilateral, que era o Plano Marshall, que auxiliou os países europeus a se reconstruírem. A estratégia dos EUA era emprestar dinheiro de forma bilateral pelo Plano Marshall e multilateral pelo BIRD. Os EUA tinham esse interesse para que conseguissem, a longo prazo, um maior lucro via BIRD e, a curto prazo, via Plano Marshall. Tanto o FMI quanto o BIRD tiveram suas sedes em Washington, para que o governo central tivesse influência direta nessas instituições. A escolha do corpo dessas instituições foi também feita com base em uma ideologia liberal, incorporando técnicos advindos de academias estadunidenses.

  • Não Submissão à ONU: Os EUA foram enfáticos sobre a necessidade de manter o FMI e o Banco Mundial independentes da ONU. Eles são agências parceiras, mas não são submetidos a ela. Isso faz com que as duas instituições não estejam submetidas às regras aprovadas por esta. Também defendiam que as decisões deveriam ser tomadas de forma técnica, e não política, como seria feito na ONU.

  • Prevalência de Fatores na Ordem Política: Apesar disso, há a prevalência de fatores de ordem política. Os votos nas instituições são proporcionais ao quanto os países doam para o Banco Mundial e ao FMI, geralmente com os EUA tendo um peso maior, garantindo a maioria das decisões das instituições. Assim, países que se aliavam com ele politicamente conseguiam empréstimos mais facilmente. Trocas de favores políticos funcionavam como barganha com outros países.

  • Ênfase na Expansão Capitalista: Os EUA também utilizaram essas instituições para fazer uma expansão capitalista no mundo. Os países que fazem empréstimo com o FMI precisavam tomar medidas que garantissem o livre-comércio, para que estes não voltassem ao cenário de instabilidade. Por exemplo, países precisam ter um Banco Central independente para pedir empréstimos ao FMI.

  • Visão Etnocêntrica de Desenvolvimento: Os EUA focaram em países de terceiro mundo como seus maiores clientes. A medida de desenvolvimento pelo Banco Mundial era o crescimento econômico numérico nos países. Assim, o progresso é medido por PIB e Balança Comercial, ao invés de Índice Gini e IDH.

Visões Críticas
O funcionamento dessas instituições não acontece sem o surgimento de críticas, principalmente na segunda metade do século XX, advindas de países recém-independentes que não participaram da criação dessas instituições. A primeira crítica era sobre o reforço de assimetrias, de que essas instituições serviam como uma forma de manter a dependência dos países do sul do norte global.

Essas decisões de pegar empréstimo eram feitas pelo poder executivo, sem a consulta do congresso, fazendo com que este último tivesse que lidar com rombos advindos de medidas que ele mesmo não foi consultado, sendo esse processo chamado de redistribuição às avessas. Outra crítica é que o desenvolvimento que as instituições promovem não é amplo e irrestrito, mas "a convite", apenas a quem os EUA têm interesse.

Também é criticado o fato de os EUA utilizarem o dólar como diplomacia. O questionamento não é o dólar ser a moeda de referência, mas de como os Estados Unidos se aproveitam disso em suas políticas internacionais.

1971 - Acordo Smithsoniano: nesse acordo, há o fim do padrão dólar-ouro, que vigorava de 1944 a 1971, sendo agora o dólar a principal moeda de transação internacional. Os países que possuíam reservas em ouro acabaram desfavorecidos, pois suas reservas pouco significavam agora. Agora todo mundo é obrigado a comercializar em dólar e a ter reservas nessa moeda.

1973 - Choque do Petróleo: as divergências entre os países do Oriente Médio e os EUA, advindas das políticas anteriores, fez com que os países exportadores de petróleo aumentassem o preço do petróleo para uma margem de lucro que recompusesse as perdas que eles tinham advindas do fim do padrão anterior, gerando uma grande crise econômica que fez os países do mundo contraírem muitos empréstimos das instituições internacionais.

1979 - Segundo Choque do Petróleo: foi um choque advindo do Choque Volcker, que foi uma decisão do FED de aumentar significativamente as taxas de juros dos EUA, aumentando as dívidas da maior parte dos países e agravando ainda mais a crise econômica destes.

Banco como Ator Político, Intelectual e Financeiro
O Banco Mundial também serve como fonte de dados econômicos do mundo, agregando diversos dados de diferentes partes do globo de diferentes países. Também financia pesquisadores para estudos sobre a economia global. 

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