Teoria das Relações Internacionais- Aula 6

 Teoria da Política Internacional e Teoria da Estabilidade Hegemônica

Waltz afirma que, se sistematizarmos tudo o que os pensamentos ocidentais dizem sobre a natureza da violência, perceberemos que os principais pensadores se preocupavam com a guerra, mas atribuíam causas diferentes, pois a forma como veem a guerra é diversa.

Existia a primeira imagem, em que o homem é naturalmente violento e, por isso, faz a guerra. Liberais do século XIX veem a guerra de outra forma, pela segunda imagem, a de que as causas da guerra estão ligadas ao tipo de regime vigente. A teoria da paz democrática diz que, se o Estado for organizado como uma democracia, é improvável que ele queira guerra com outros Estados democráticos.

Existia uma terceira imagem: segundo Rousseau, o problema da guerra está, na verdade, no sistema internacional e na forma como as instituições se relacionam, permitindo que a guerra ocorra, uma vez que este sistema é anárquico.

Reducionismo e Estruturalismo

A teoria dos sistemas é o que traz cientificidade aos estudos dessa área, questionando: quais são as unidades que compõem esse domínio, como elas se relacionam e como isso cria uma lógica específica. A compreensão das Relações Internacionais (RI) não pode ser exclusiva aos Estados.

Para Waltz, os estudos das RI, para ganharem embasamento, não poderiam se basear em fenômenos isolados. Se você tem um sistema, não pode estudar as RI por meio de aspectos fragmentados, como a relação entre Estados específicos, pois uma mudança nessa unidade também altera o sistema. Reduzir sua análise apenas ao Estado faz com que a Teoria da Política Internacional (TPI) deixe de funcionar.

Componentes da TPI

Para criar uma teoria de política internacional, é necessário entender qual é o princípio organizador desse sistema (anárquico ou hierárquico), como as unidades se diferenciam (como essas unidades se comportam para formar esse sistema) e a distribuição das capacidades (derivada da interação entre essas unidades).

Resumindo, o sistema internacional é anárquico, as unidades são os Estados, que pouco se diferenciam, possuindo estruturação similar, e a distribuição das capacidades é o resultado das interações dos Estados dentro desse sistema, com alguns Estados se saindo melhor ou pior dessa interação.

Um sistema unipolar ocorre quando um Estado consegue a máxima vantagem nessa distribuição de capacidades, o que é raro. Nos estudos de Waltz, o foco está nos sistemas bipolar e multipolar. Para ele, o sistema bipolar era muito estável, pois a distribuição de poder fica concentrada.

O Contexto Histórico de Waltz

Waltz estava escrevendo em uma época em que o realismo sofria muitos ataques devido aos diferentes acontecimentos internacionais da época. Ele defendia a bipolaridade, mesmo diante desse contexto, sustentando o realismo em um cenário de embate com o crescente liberalismo.

Suas ambições não eram analisar a Guerra Fria, mas, sim, criar uma teoria que pudesse explicar os fenômenos internacionais de forma ampla, abstrata, geral e não limitada a um período histórico, como uma teoria ou lei científica.

Críticas à TPI

Diversas críticas foram feitas à TPI e ao realismo. Para os críticos, o realismo não explicava os problemas da mudança. A TPI não explica como se passa de um sistema bipolar para um multipolar, e vice-versa.

A segunda crítica diz respeito à economia, pois o realismo pouco foca nessa questão, não especificando quais são as capacidades que estão sendo distribuídas no cenário internacional. O realismo trata as questões militares e de segurança como as mais importantes para foco de estudo.

A terceira crítica é a incapacidade do realismo de explicar o funcionamento das instituições internacionais, limitando-se apenas ao estudo dos Estados e seus interesses.

Teoria da Estabilidade Hegemônica

Para responder às críticas sofridas por Waltz, Gilpin propõe uma abordagem dinâmica. Ele afirma que, para entender qualquer ordem, é necessário compreender que toda ordem nasce quando uma distribuição de poder se estabiliza. Nesse momento de estabilização, há atores mais hegemônicos que outros, que precisarão tomar decisões nessa nova ordem.

Os EUA, por exemplo, após o fim da Segunda Guerra, tornaram-se uma potência mais hegemônica que as outras nessa nova ordem. Assim, tomaram decisões que criassem um cenário internacional favorável e estável, tanto econômica quanto militarmente. Dessa forma, criaram instituições para esse fim, abrindo mão de parte de seu poder em prol de uma maior estabilidade internacional.

Portanto, para entender os acontecimentos no mundo, é necessário compreender as distribuições de força e capacidade por trás das instituições.

Estado de Desequilíbrio

Chegará um momento em que as consequências dos fenômenos internacionais provocarão um estado de desequilíbrio. Após esse momento de desequilíbrio, haverá a resolução da crise, que pode ocorrer de diversas formas, como uma guerra ou novas instituições que equilibrem o cenário internacional. Por exemplo, os EUA, a partir das crises dos anos 90, ficaram sobrecarregados ao tentar sustentar um sistema cada vez mais instável. A China, em constante crescimento, passou a criar instituições que propagassem seus interesses, tornando-se cada vez mais relevante no cenário econômico, o que trouxe uma resolução à crise.

Realismo e o Problema do Poder

O poder sempre foi um conceito muito importante para os realistas. Em Morgenthau, havia uma distinção entre alta e baixa política. Waltz, por outro lado, se abstém de falar sobre poder, pois seu trabalho não era sobre poder, mas sobre a distribuição das "capacidades". Gilpin trabalha com a ideia de fungibilidade do poder, sugerindo que o poder é intercambiável, ou seja, poder tecnológico e econômico pode se converter em poder militar, e vice-versa, com a convertibilidade entre essas formas variando ao longo do tempo. Por exemplo, o poder militar era mais conversível nos anos 60, enquanto nos anos 90 o poder econômico se tornou mais conversível.

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