Geopolítica- Aula 8

 Golbery (Continuação)

Compartimentação Geopolítica da América do Sul
Golbery realiza a compartimentação da América do Sul em sete grandes áreas geopolíticas (cinco terrestres e duas marítimas):

  • Área de Reserva Geral
  • Área da Amazônia
  • Área Platino-Patagônica
  • Área Continental de Soldura
  • Área do Nordeste Brasileiro

Para ele, o Oceano Atlântico possuía uma relevância maior do que o Oceano Pacífico naquele momento.

Compartimentação Geopolítica do Brasil
Golbery também traz a compartimentação em nível nacional, dividindo o país em áreas principais: o Núcleo Central (SP, RJ e BH); três penínsulas geopolíticas (Nordeste, Extremo-Sul e Centro-Oeste); e a Hiléia Amazônica, uma vasta região escassamente povoada, com uma economia extrativista limitada.

Manobra de Integração do Território Nacional
Golbery formula a estratégia de manobra de integração nacional em três fases sucessivas:

  1. Ligar o Norte e o Sul ao Núcleo Central
  2. Integrar o Noroeste ao Centro-Oeste
  3. Incorporar a Amazônia ao território nacional como um todo

Esse plano visava estabelecer a inviolabilidade territorial frente a ameaças externas e a efetivação de uma manobra geopolítica.

Escola Superior de Guerra
Criada em 1949, foi subordinada diretamente ao Estado-Maior das Forças Armadas e à Presidência da República. Após a Segunda Guerra Mundial, ficou evidenciada a necessidade de atualizar doutrinas, planejamento e padrões militares vigentes, além da logística e dos equipamentos das tropas.


Geopolítica Brasileira Clássica (2)

Carlos de Meira Mattos e o Brasil Potência
Carlos de Meira Mattos nasceu em São Carlos (SP) e teve múltiplas atividades ao longo de sua vida, como subchefe do Gabinete Militar da Presidência da República, comandante da AMAN, Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas e vice-diretor do Colégio Interamericano de Defesa em Washington.

Ele possuía uma visão realista das relações internacionais, abrangendo uma variedade de tópicos envolvendo geopolítica, com influência de Mario Travassos, mas visando projetar o Brasil de forma mundial.

Interpretação Geopolítica do Brasil
Para ele, não se devia simplesmente adotar teorias de autores estrangeiros, mas reinterpretá-las para o cenário brasileiro. O espaço geográfico era visto como determinante nos objetivos da nação, e era necessário adaptar os clássicos. Concluiu afirmando que o Brasil poderia se tornar uma potência em todos os aspectos até o ano 2000, se fosse gerido adequadamente.

Poder Nuclear Brasileiro
Meira Mattos argumentava que seria necessário desenvolver a energia nuclear no Brasil. Ele apoiava a parceria com a Alemanha na construção de uma usina nuclear e criticava o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Geopolítica e Projeções de Poder
Para Meira Mattos, o poder nacional é a soma dos recursos materiais e valores psicológicos de uma nação, que definem seus propósitos. Para uma projeção geopolítica eficaz do Brasil, são necessários:

  • Dimensão e ocupação geográfica efetiva
  • Posição geográfica
  • População
  • Recursos naturais
  • Capacidade econômica
  • Capacidade tecnológica e científica
  • Capacidade militar
  • Coesão interna

Ele considerava a política como um exercício de realismo.

Teoria da Avaliação do Poder Nacional
Meira Mattos adota a fórmula do professor Ray S. Cline, conhecida como teoria da avaliação do poder nacional. Para ele, o Poder Perceptível é igual a Massa Crítica (população mais território) + capacidade econômica + capacidade militar x concepção estratégica + vontade para executar a estratégia nacional + capacidade de persuasão (sendo esta última adição dele)

Pan-Amazônia
Após contextualizar historicamente a questão geopolítica, Meira Mattos diferencia as designações Amazônia (nacional) e Pan-Amazônia (visão multinacional). O conceito de Pan-Amazônia surge como uma diplomacia de cooperação para mitigar o isolamento causado pela interiorização das fronteiras amazônicas. Essa abordagem fortalece a soberania dos países amazônicos, diante das ambições de nações ricas.

O Tratado de Cooperação Amazônica de 1978 destaca a jurisdição exclusiva dos países amazônicos sobre o desenvolvimento e a proteção da área.

Áreas de Intercâmbio Fronteiriço
Meira Mattos define as Áreas de Intercâmbio Fronteiriço (ou polos de desenvolvimento transnacionais) como zonas de fronteira na Pan-Amazônia que servem tanto para a integração do imenso espaço amazônico brasileiro quanto para a cooperação econômica entre diferentes nacionalidades nessa microrregião.

Polos de Desenvolvimento
Polos de desenvolvimento são unidades econômicas de produção, situadas em um espaço socioeconômico determinado. Elas devem aproveitar vias de comunicação existentes ou projetadas e se comunicar em áreas de fronteira com outros países.

Brasil Potência
Para Meira Mattos, o Brasil tem o potencial de se tornar uma potência mundial. Ele identificou cinco atributos essenciais para que o Brasil alcance essa posição:

  • Dimensão geográfica
  • População
  • Recursos naturais
  • Capacidade econômica, tecnológica e científica
  • Coesão interna

O Brasil possui todas as condições para ser uma grande potência, desde que se otimizem essas potencialidades, respondendo aos desafios de maneira eficaz.

Civilização dos Trópicos
Meira Mattos propõe que o Brasil tem a capacidade de construir uma civilização tropical capaz de competir no sistema internacional. Ele desafia a visão de geógrafos europeus que consideravam as regiões tropicais inadequadas para o progresso e o desenvolvimento. Para ele, o Brasil tem potencial para superar limitações geográficas.


Terezinha de Castro e a Vocação Geopolítica Brasileira
Terezinha de Castro nasceu no Rio de Janeiro, trabalhou no IBGE, foi professora no Colégio Pedro II e atuou nas principais escolas e academias militares. Sua contribuição geopolítica se destaca na análise da projeção marítima e antártica brasileira.

Principais Conceitos da Geopolítica de Terezinha de Castro

  • Contribuições para uma Geopolítica Brasileira
  • Vocação Geopolítica da América do Sul e do Atlântico Sul
  • Geoestratégia da Antártica
  • Geoestratégia da Amazônia
  • Neocolonialismo Econômico

Contribuições para uma Geopolítica Brasileira
Castro caracteriza o Brasil como parte integrante do espaço político sul-americano, dividindo-o em três regiões naturais:

  • Ilha Subdesenvolvida: Norte e Centro-Oeste
  • Ilha em Desenvolvimento: Nordeste, suscetível a influências externas
  • Ilha Desenvolvida: Sudeste e Sul

Essa classificação sugere que o Brasil é um país voltado para o Atlântico, onde predomina 18% do território nacional sobre o restante do país. O Brasil, para ela, está em um estado de "adolescência geopolítica", com alcance regional, mas não mundial.

Vocação Geopolítica da América do Sul e Atlântico Sul
Castro agrupa os países da América do Sul em quatro grandes regiões naturais: Caribe, Pacífico, Interior e Atlântico. Para ela, o Atlântico Sul representa a projeção internacional do Brasil, com destaque para as ilhas que podem servir como apoio logístico para navios, eliminando a necessidade de retorno aos portos continentais.

Tese da Triangulação Insular do Atlântico Sul
Em sua concepção, ilhas específicas no Atlântico Sul têm um papel estratégico crucial, permitindo pressão geopolítica em áreas marítimas importantes, se conectando por meio de triangulação geográfica.

Geoestratégia da Antártica
A Antártica é um tema central no pensamento geopolítico de Castro. Ela a considera essencial para a estratégia brasileira, tanto para controle meteorológico quanto para a preservação das reservas de água doce. Castro apoiou intensamente o Programa Antártico Brasileiro, cuja realização mais notável foi a instalação da Base Comandante Ferraz no continente antártico.

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