Macroeconomia- Aula 8

G20
O G20 é o grupo dos 20, que na teoria seriam os 20 países de maiores economias. No entanto, não são 20 países e nem as maiores economias, sendo 19 países e 2 organizações internacionais.

Contexto de Criação do G20
Em 1999, uma crise econômica na Ásia começou na periferia do capitalismo, mas rapidamente se espalhou para o centro devido ao papel estratégico dos países asiáticos nas exportações globais. Antes, o G8 reunia as maiores economias e costumava funcionar bem, uma vez que as crises surgiam no centro. O G20 surgiu para coordenar políticas macroeconômicas e evitar que crises originadas fora do G8 se alastrassem globalmente.

Objetivos Iniciais do G20
Nos primeiros anos, o G20 focava em temas de microeconomia tradicional, com os países sendo representados pelos ministros da economia e os líderes dos bancos centrais.

A Crise de 2008 e a Evolução do G20
Em 2008, uma nova crise financeira, que teve origem nos Estados Unidos, seguiu padrões tradicionais e não afetou apenas questões macroeconômicas. O G20 se aprofundou e começou a tratar de uma agenda ampliada e transformou-se em um encontro de nível de cúpula, envolvendo as mais altas autoridades dos países. Deixou de ser um encontro exclusivamente econômico.

Composição Regional do G20
Atualmente, o G20 representa 19 países e 2 organizações internacionais, sendo a União Europeia e a União Africana. A África do Sul é o único país membro africano. A América Latina está representada por Brasil, Argentina e México, que constituem a região mais sub-representada.

Indicadores de Representatividade do G20

  • 85% do PIB mundial
  • 75% do comércio internacional
  • ⅔ da população mundial
  • 75% das emissões de gases do efeito estufa

Estrutura do G20
O G20 não é uma organização internacional formal, pois não tem orçamento, sede fixa ou instrumentos legais obrigatórios. Sua estrutura é flexível, com a presidência rotativa, que é ocupada por um país a cada ano. Em 2024, o Brasil assumiu a presidência.

Função da Troika
A presidência do G20 é rotativa, e a "Troika" é composta pela presidência anterior, atual e a seguinte. A troika deste ano tinha tudo para ser harmônica, mas não tem sido, pois em 2023, a Índia estava em eleições e fez sua agenda baseada nisso, enquanto a África do Sul tende a colaborar com os EUA.

Trilhas do G20

  • Trilha financeira: Trata de questões macroeconômicas estrito senso, com reuniões dos ministros da economia e líderes dos bancos centrais. Se reúnem quatro vezes por ano.
  • Trilha sherpa: Discute questões socioeconômicas mais amplas e é liderada pelos secretários de relações exteriores, como o Itamaraty no Brasil. A figura do sherpa é o secretário de relações exteriores.

Grupos de Engajamento
O G20 também inclui grupos de engajamento, que representam setores da sociedade civil e elaboram recomendações para o grupo. Exemplos incluem o B20 (setor empresarial), W20 (mulheres), Y20 (juventude), T20 (academia), U20 (governo estadual e prefeituras), e O20 (organizações de trabalhadores).

Prioridades da Presidência Brasileira (2024)
A presidência do Brasil, iniciada em 1º de dezembro de 2023, tem como tema "Construindo um mundo justo e um planeta sustentável". O Brasil tem flexibilidade para definir os assuntos que considera mais relevantes para a agenda do G20.

Eixos Prioritários do Brasil
O Brasil estabeleceu três eixos prioritários de trabalho:

  1. Combate à fome e à pobreza
  2. Sustentabilidade justa (os países que mais poluíram devem arcar com uma maior responsabilidade)
  3. Reforma da governança global (incluindo a reforma da ONU e das instituições de Bretton Woods)

Instrumentos Criados pelo Brasil
O Brasil criou três instrumentos principais:

  • Força-tarefa de Combate à Fome e Pobreza: diretamente associada ao primeiro eixo prioritário, visa lançar uma aliança global contra a fome e a pobreza.
  • Força-tarefa de Mobilização Climática: focada na criação de uma mobilização internacional sobre o clima. Essa força não teve tanto sucesso, especialmente em 2023, e não deve ser retomada pela África do Sul em 2025.
  • Iniciativa de Bioeconomia: voltada para questões econômicas relacionadas à biodiversidade, com princípios de alto nível de proteção ambiental.

Encontros Ministeriais e Cúpula
Os encontros ministeriais do G20 terminam com o lançamento de um comunicado final. A cúpula de 18 e 19 de novembro resultou em uma declaração final.

G20 Social
O G20 Social é um espaço criado pelo Brasil para permitir que os grupos de engajamento e membros da sociedade civil participem do processo, contribuindo com suas perspectivas e necessidades.

Conexão com a COP 29 e COP 30
O G20 costuma ocorrer antes das COPs, então dá para prever o posicionamento dos países em relação aos temas climáticos. O que não for resolvido no G20 será levado para a COP 30 no Brasil.

Financiamento Climático
O financiamento climático é um ponto central nas discussões do G20 e está diretamente relacionado com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e as conferências de partes (COPs). Os países do Sul defendem que as responsabilidades climáticas sejam comuns, mas diferenciadas (CBDR).

COPs e o Protocolo de Kyoto
O Protocolo de Kyoto, lançado na COP3, complementa a UNFCCC, estabelecendo um anexo com os países responsáveis pelas mudanças climáticas. A COP21 em Paris substitui o protocolo de Kyoto, sem a divisão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento (acabando com o anexo 1).

Acordo de Paris e NDC
O Acordo de Paris, adotado na COP21, visa a industrialização do compromisso climático e inclui as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) de cada país, que especificam os compromissos climáticos de cada um.

Instrumentos Financeiros para o Clima
Os instrumentos financeiros incluem:

  • Green bonds (títulos verdes): títulos da dívida emitidos para financiar projetos de sustentabilidade, com garantia de fiscalização.
  • Conversões de dívida: quando a dívida de um país é convertida em ações de mitigação e adaptação climática.
  • Empréstimos concessionais: empréstimos com a condição de que parte dos recursos sejam destinados a ações climáticas.
  • Garantias e Doações: apoio financeiro para ações ambientais.
  • Pagamentos por serviços ambientais: incentivos para preservação ambiental em propriedades privadas.
  • Mercado de créditos de carbono: mecanismo que permite que países ou empresas compensem suas emissões de gases do efeito estufa por meio da compra de créditos de carbono.

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