Teoria das Relações Internacionais- Aula 11
Debates Contemporâneos (Cont.)
John Mearsheimer e o Dilema da Unipolaridade
A partir de 2010, Mearsheimer começou a estabelecer como os EUA deveriam lidar com a unipolaridade no sistema internacional, posição que o país detinha desde os anos 1990, sob uma ótica preocupada com a ascensão da China. Mearsheimer argumenta que os presidentes americanos dos anos 1990 trataram o sistema internacional como se não houvesse rivalidade contra a hegemonia americana. Em uma visão cíclica de poder, após a unipolaridade, a próxima etapa seria o declínio. A política internacional americana, portanto, deveria estar focada na possibilidade de declínio de sua hegemonia.
O Isolacionismo
O que permitiu aos EUA alcançar o status que possuem foi o isolacionismo, ou seja, o não engajamento em conflitos no restante do mundo (limitando-se a intervenções em pequenos países da América Latina). A consolidação de capacidades internas permitiu ao país crescer desproporcionalmente. A tradição isolacionista se reflete, por exemplo, na decisão do Congresso de não aderir à Liga das Nações.
Offshore Balancing
A partir do momento em que se tem capacidades limitadas, é necessário decidir quais são os pontos-chave para a manutenção do poder americano. Para Mearsheimer, as principais regiões são Europa, Sudeste Asiático e Oriente Médio. Ele critica a política de Clinton, pois a escala de intervenções se ampliou para países que não eram importantes para a manutenção do status dos EUA, como a Somália, representando um gasto desnecessário de capacidades americanas.
A China, para crescer como uma potência mundial, precisa primeiro se consolidar como uma potência regional. Ao focar suas capacidades na região do Sudeste Asiático, os EUA mantêm a China sob controle. Entretanto, não é necessário manter-se estático na região; o importante é preservar a capacidade de manter o status quo. Se a China invadir uma ilha na Ásia, por exemplo, os EUA podem enviar sua frota de porta-aviões para restabelecer a ordem anterior na região.
Engajamento Seletivo
No engajamento seletivo, os EUA mantêm uma presença permanente em áreas consideradas essenciais. Isso é importante porque, em certas situações, respostas rápidas serão exigidas. Manter bases em outros países, porém, demanda custos elevados, exigindo uma análise de custo-benefício baseada no tempo de resposta necessário. Base em pontos chaves são essenciais nesse caso, como em estreitos e canais.
Dominação Global
Nesta política, os EUA se comprometem com a defesa de um princípio específico e com a manutenção de uma ordem global particular. Para Mearsheimer, não importa o princípio; o que importa é que, quando os EUA assumem essa posição, acabam desperdiçando recursos e capacidades. A presença americana em várias regiões fortalece grupos de oposição, que se beneficiam de narrativas contrárias à dominação global americana. Isso aumenta o número de inimigos e os recursos necessários para enfrentá-los. Mearsheimer critica os líderes democratas e republicanos do período pós-Guerra Fria por lidarem com a geopolítica internacional sob essa ótica, prejudicando os EUA no longo prazo e abrindo espaço para a ascensão de rivais.
Comentários
Postar um comentário