História dos Grandes Conflitos- Aula 5

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Parte II

O Impasse de 1916 e a Mobilização Total

Em 1916, a guerra encontrava-se em um cenário de impasse, no qual nenhum dos dois lados conseguia avançar significativamente. Já se compreendia que as estratégias precisariam mudar, sendo necessária uma mobilização gigantesca para alterar esse cenário. Os países e impérios passaram a convocar exércitos de suas colônias para lutar na Europa. O Brasil e outros países da América do Sul começaram a crescer economicamente nesse período devido à alta demanda por matérias-primas que possuíam. Ou seja, quase a totalidade da economia global foi afetada e se envolveu, direta ou indiretamente, no conflito.

A Guerra Além do Combate: A Logística da Vitória

Uma guerra não se vence apenas nos combates. Especialmente neste caso, era preciso garantir uma série de requisitos básicos: equipamento, alimentação, transporte, produção de armamentos, suprimentos, armazenamento — e até o uso de animais. Para manter uma indústria capaz de suprir todas essas necessidades, era preciso que alguém arcasse com os custos. Era necessário organizar toda essa logística de forma coordenada, centralizada, e reunir os recursos necessários para mantê-la. A única entidade capaz de realizar isso, redirecionando todos os recursos nacionais para a economia de guerra, era o Estado. Ele assume, então, uma centralidade na organização da economia, sobrepondo-se aos interesses particulares da nação com o objetivo de vencer a guerra.

Tributos, Dívidas e o Papel do Estado

Um dos principais mecanismos de financiamento da guerra é o imposto, que costuma ser uma das primeiras medidas adotadas por um Estado em tempos de conflito. No entanto, durante a Primeira Guerra Mundial, os impostos passaram a não dar mais conta do esforço necessário. Toda a economia nacional precisava ser adaptada para o conflito, a fim de suprir essas crescentes demandas. Buscava-se maior eficiência e inovação nos equipamentos a partir das indústrias já existentes. Fábricas de automóveis, por exemplo, passaram a produzir veículos para a guerra, algumas delas convertendo-se para a fabricação de tanques e veículos blindados.

Novos tipos de tributo foram criados, como o imposto sobre a renda, o que gerou revolta nos sindicatos e entre a população em geral. Ou seja, aumentar tributos já não era mais suficiente sem provocar uma insatisfação popular massiva — e, ainda assim, os valores arrecadados não seriam suficientes. Diante disso, recorreu-se ao único outro meio viável de financiamento em larga escala: a contração de dívidas. O Estado passou a aumentar significativamente a dívida pública. Ampliou-se o uso dos "títulos da dívida pública", que eram papéis com juros utilizados para pagar as empresas envolvidas na produção de guerra. Essas empresas aceitavam os títulos porque acreditavam que o Estado era uma fonte segura de retorno financeiro. Os bancos centrais, nesse contexto, não tinham qualquer autonomia.

A Origem do Capitalismo de Guerra

O modelo de capital financeiro que persiste até hoje nasceu nesse contexto. Trata-se de um "capital invisível" e especulativo, baseado nas expectativas de lucros futuros. Tudo isso deu origem a uma nova economia mundial, voltada para a guerra. A Grande Guerra, portanto, não é importante apenas para a história militar, mas para toda a história da humanidade. Ao mesmo tempo em que se tornava possível manter os esforços de guerra, quase todos os países envolvidos endividaram-se a níveis jamais vistos — com exceção dos Estados Unidos, que conseguiram lucrar tanto como credores quanto por meio dos ganhos diretos de sua indústria. Mesmo os países vencedores saíram economicamente destruídos.

O mundo inteiro estava, então, inserido em um modelo de economia de guerra. E, uma vez que a guerra terminou, esse modelo não desapareceu: ele permaneceu como uma nova realidade. O capitalismo moderno passou a ser uma economia moldada pela guerra, com seu desenvolvimento técnico fortemente vinculado a ela. A Primeira Guerra definiu a economia como fator crucial para a vitória.

Entrada dos EUA na Guerra (04/1917)

Embora todos os países estivessem investindo pesadamente no esforço de guerra, era necessário pensar no cenário pós-conflito. Havia o risco de que todos os envolvidos saíssem como perdedores, diante do caos instaurado. Esse medo aumentou com a eclosão da Revolução de Fevereiro de 1917. Em um contexto de profunda insatisfação com o Império Russo, a demanda popular por uma república foi bem-sucedida, pondo fim à monarquia por meio de uma revolução social.

Os Estados Unidos, diante desse cenário, entenderam que, para se tornarem uma potência com voz ativa no mundo e evitar o colapso completo da Europa no pós-guerra, precisariam intervir no conflito. Era necessário encerrar a guerra antes que o que aconteceu na Rússia se espalhasse. Esse pensamento ganhou ainda mais força com a Revolução Bolchevique de outubro.

Um Novo Reordenamento Mundial

Quase todos os impérios deixaram de existir durante ou logo após a guerra. Os Estados Unidos possuíam a capacidade de reconstruir o mundo com bases econômicas favoráveis aos seus interesses e de restabelecer a ordem global, intervindo para evitar uma revolução generalizada na Europa. 

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