Formação Econômica do Brasil- Aula 9

Celso Furtado, Tavares e Serra: Ciclo Desenvolvimentista

No período getulista, pela primeira vez no Brasil vai se regulamentar as relações de trabalho nas cidades. Os trabalhadores rurais, por outro lado, ficaram a margem desses benefício trabalhistas tendo direitos apenas no período de Jango. Uma guerra civil em São Paulo em 1932 vai submeter a elite cafeeira paulista ao governo central. Vai ser quando Getúlio Vargas vai consolidar seu poder. Para Bresser Pereira, isso é uma revolução capitalista pela subida ao poder da burguesia industrial. 

Uma série de reformas institucionais são feitas antes de uma tentativa de desenvolvimento real. De 1930 a 1934 é um governo provisório, de 1934 a 1937 vai se ter um governo constitucional e de 1937 a 1945 vai se ter um governo ditatorial. O ciclo nacional desenvolvimentista que vai dos anos 30 até os anos 80 vai se caracterizar por uma forte ênfase na indústria, em programas de apoio a industrialização. O governo getulista era muito amparado em um modelo similar ao fascismo e anticomunista.  O golpe de 1937 foi justificado por um documento falso nomeado Plano Cohen. 

Um dos projetos de integração territorial foi a chamada "Marcha para o Oeste", promovendo a colonização agricola no Centro-oeste, assim que cidades como Cuiabá são criadas, por meio de incentivos como por meio de programas de crédito facilitado, cessão de terras e criação de estradas. Isso se conecta com o desenvolvimento industrial quando se considera que a produção industrial precisava de escala, necessitava mercados maiores e meios para alcançar o mercado, como estradas. Os militares eram desenvolvimentistas, centralizadores, ufanistas e positivistas, portanto, apoiavam os projetos getulistas. 

Os trabalhos na cidade eram melhores para o governo pois eram assalariados, oque permitia o consumo por parte desses trabalhadores. Isso levava a uma monetização da economia e uma maior fonte de receita para o Estado através dos tributos. 

A recessão da demanda internacional abalou a economia exportadora brasileira, especialmente o setor cafeeiro. O governo Vargas, entretanto, defendeu os preços do café em uma política de compra e queima de sacas para manter a alta dos preços. Isso era importante pois permitia a entrada do dólar na economia por meio das exportações, mantendo a moeda forte economicamente. 


Anos 50/60
As importações foram sendo substituídas pela troca por manufaturas internas, exceto por produtos de complexidade tecnológica. O modelo de Substituição de Importações atinge um limite nos anos 50 e 60, quando o coeficiente de importação vai se manter estagnado. Isso acontece porque chega a um ponto onde o Brasil não tem mais oque substituir por produção interna, e oque tem, não consegue substituir pela falta de capacidade de criação de tecnoogia complexa. 

Na leitura de Celso Furtado, essa política desenvolvimentista marginalizou certos setores da sociedade por incentivar uma política de baixos salários, não sendo inteiramente integrados ao mercado de consumo. Isso fazia com que as indústrias novas que iam surgindo não conseguiam vender pois não existia uma classe ampla que podia comprar. Para Furtado esse era o elemento que permitia a estagnação. As fábricas, cada vez mais tecnologicamente avançada criava menos empregos, e quem entrava, entrava com baixos salários. 


Tavares e Serra
Conceição Tavares e José Serra vão responder Furtado. Segundo ela, não há estagnação, e a economia vai continuar crescendo porque as razões que o Furtado acreditava ser uma "estagnação" era na realidade um novo padrão de acumulação, era um processo de transição de um padrão de acumulação antigo para um novo. Vai haver a criação dos setores de indústria de bens duráveis, como eletrodomésticos. Esses setores vão começar a atender as demandas da classe média e alta. Eles vão conseguir preços baixos graças a uma mão de obra barata explorada. Era um modelo com uma dinâmica de crescimento próprio excludente, que crescia independente da capilaridade populacional que os bens alcançavam. 

Na segunda fase, no governo JK e governos posteriores, vai ocorrer um modelo de "Substituição de Exportações", tentando levar os produtos manufaturados brasileiros para mercados internacionais, em especial a América do Sul. Não se buscava levar esses produtos para dentro do mercado nacional pois se precisava manter as populações com salários baixos para que se mantivesse o baixo preço dos manufaturados. O alto número de desempregados era também essencial para a manutenção de baixos salários, pois facilitava a demissão em qualquer caso de reivindicação salarial, assim, uma massa de desempregados era um mercado fácil e que aceitaria facilmente qualquer oferta. 


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