Formação Econômica do Brasil- Aula 10

F. Oliveira

Getúlio Vargas não representou apenas uma mudança de governo, mas de toda uma organização política. Sai a elite cafeeira e entra Vargas, que é apoiado por outros grupos importantes, como militares, profissionais liberais e industriais. O café, entretanto, ainda era relevante por sua importância nas exportações. A Revolução de 1930, portanto, não esmaga completamente o seu modelo econômico e suas antigas elites, como ocorreu em outras revoluções.

Com a crise de 1929, as demandas por café no cenário internacional diminuíram. Isso significa que o café passou a adquirir menos divisas em moedas fortes, que eram importantes para viabilizar importações. O novo governo surge do enfraquecimento dessas elites em razão dessa crise.

Agora se inicia um novo ciclo, em que o governo de Vargas vai focar na construção de um parque industrial diversificado, com o objetivo de suprir as demandas que as fracas importações não conseguiam atender.

A Economia Dual de Celso Furtado

Segundo Celso Furtado, a ideia de economia dual era a de que existia um setor moderno na sociedade, onde havia máquinas modernas, capacidade de acumulação de renda e desenvolvimento — o setor industrial. Do outro lado, havia um setor arcaico, de baixa produtividade, localizado no interior, onde a relação de trabalho consistia no pagamento pelos serviços de um trabalhador ser feito por meio da cessão de uma casa, com os frutos do trabalho pertencendo ao proprietário. Assim, havia dois modelos de economia no Brasil.

O maior problema desse modelo é que, ao mesmo tempo em que o setor industrial era desenvolvido, ele necessitava de uma base consumidora. A questão é que a população nos campos não possuía capacidade de compra para consumir os manufaturados gerados por essa indústria. Assim, os industriais tinham pouco incentivo para ampliar sua capacidade produtiva por meio do reinvestimento, dada a falta de um mercado consumidor.

Crítica de F. Oliveira

F. Oliveira vai escrever na década de 1960. A ideia de que havia uma crise no modelo de substituição de importações não era comprovada, tendo em vista os dados de crescimento econômico até então. O problema não era a economia dual, onde o modelo arcaico representava uma ameaça ao desenvolvimento.

O Brasil possuía um modelo particular de industrialização. Ela era periférica e dependente. Ia crescer apoiada numa superexploração do trabalho das massas. Baseava-se na produção de bens de consumo duráveis, visando uma classe média e alta das grandes cidades. Para que houvesse garantia de uma demanda de consumo dessas classes, era necessário que houvesse baixo custo de produção dessas manufaturas, possibilitado pelo uso de mão de obra barata nessa produção.

A CLT criava uma desvalorização do poder de compra, com um salário baixo que não acompanhava a inflação e as necessidades de subsistência. Isso permitia que as indústrias pudessem fabricar produtos com custos acessíveis. A CLT também não regulava a situação do trabalho no campo.

Com o crescimento das cidades, o setor agrícola vai focar mais numa demanda interna, que será a preços baixos. E era somente com o preço baixo dos alimentos que se conseguia fazer com que a população das cidades se mantivesse naquela situação de trabalho. Nas cidades, prevaleciam relações mercantilizadas de trabalho, onde as necessidades dos indivíduos eram supridas pelas relações econômicas, diferente de como era a vida no campo.

Portanto, para F. Oliveira, o modelo econômico industrial necessitava de um modelo arcaico agrícola para manter barata a produção de alimentos, de forma a sustentar as relações de trabalho nas grandes cidades e no modelo econômico industrial.

Segundo F. Oliveira, a crise que existia era política, não econômica, consistindo em disputas de grupos trabalhistas contra as empresas sobre direitos. As revoltas eram por uma melhor distribuição dos benefícios do modelo econômico. Era um conflito distributivo, para que os trabalhadores pudessem ter mais direitos e benefícios. Isso vai até o Golpe de 1964, que serve para manter a mesma estrutura excludente.

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