História do Sistema Internacional II- Aula 1

 

Imperialismo Colonial
A partir do final do século XIX, uma série de países europeus e os EUA passam a expandir territorialmente de uma forma exponencial. Esse fenômeno de expansão para além das fronteiras originais já existia, como na Grécia e Roma Antiga e no período colonialista a partir do século XV, entretanto, a partir da década de 1880, esse fenômeno de expansão colonial ganhou uma velocidade, escala e intensidade inéditas na história humana.

Em 1492, a expansão europeia estava dando seus primeiros passos, como a expansão de Portugal e Espanha em ilhas do Atlântico e a descoberta do continente americano por Cristóvão Colombo. Em 1550, a expansão já tinha se espalhado pelas margens do continente americano e alguns enclaves africanos e asiáticos, se restringindo ao litoral. Em 1600, a expansão já estava adentrando para dentro dos continentes de forma limitada. Em 1660, outros países como França, Reino Unido e Rússia adentraram mais firmemente dentro da corrida expansionista. Em 1754, os países já possuíam extensos pedaços de terra em diferentes continentes. De 1885 a 1914, diversos países entraram nessa expansão, como Alemanha, Bélgica, EUA e Holanda, ocupando quase todo o globo terrestre. A expansão em cerca de 20 anos foi superior territorialmente à expansão de 3 séculos, com 80% do globo terrestre sendo dominado.

Esse modelo de expansão do final do século XIX ocorreu de forma muito rápida, intensa e violenta. Era uma outra fase da expansão europeia e norte-americana, em um cenário socioeconômico diferente, com todos os países sendo capitalistas e o fazendo em um sentido comum. Era outro fenômeno de colonialismo, que passou a ser chamado de diferentes termos como Neocolonialismo e Imperialismo Colonial.

Todos os países imperialistas do período colonial tinham em comum serem países cujo já têm em seu território um capitalismo desenvolvido, com Estados centralizados e em busca de mercados consumidores para suas economias. Era inviável o capitalismo se manter para dentro das suas próprias fronteiras. O problema do desenvolvimento capitalista era que ele acontecia em comum em uma pouca dezena de países, que produziam tanto que o mercado interno já não dava mais conta de consumir, sendo necessária uma expansão, que foi direcionada para a África e a Ásia. Essa expansão feita pelas empresas vai ser feita com a proteção estatal dos impérios. Em 1884, cerca de uma dezena das lideranças imperiais se reúne em Berlim em um congresso para fazer uma partilha dos territórios africanos, buscando evitar o conflito entre as potências.

A expansão capitalista possui um caráter global e está intimamente ligada à expansão territorial com proteção e apoio estatal. A expansão vai se dar em moldes militarizados, e os conflitos de interesse vão se confundir com a dimensão econômica e política que já não conseguem se dissociar. A expansão possui interesses econômicos, sempre é militarizada e com apoio político.

Quando Adam Smith e David Ricardo escreveram sobre o capitalismo, este não havia ainda experienciado o fenômeno da crise. A partir de 1830 começam as primeiras crises econômicas. Em 1861 ocorre a primeira crise econômica generalizada de superprodução. Grande parte das crises capitalistas se dá no contexto de superprodução. A livre concorrência deixa de existir e dá lugar à monopolia das empresas capitalistas. A única forma de empresas conseguirem competir contra outras empresas era o respaldo dos seus Estados nacionais para conseguir acesso a mercados por meios mais facilitados; essa proteção pode ser dada por meio de baixas tarifas alfandegárias, taxas de câmbio favoráveis ou por meios militares. Isso faz com que os países não tenham apenas rivalidades políticas clássicas, como rivalidades religiosas, culturais e étnicas. Elas se fundem com rivalidades capitalistas monopolistas.

Hannah Arendt, ao explicar a violência empregada pelos alemães na Segunda Guerra, buscou a origem da brutalidade nas experiências violentas empregadas nas colônias pelos europeus. A violência que os europeus impuseram aos povos coloniais possui um efeito bumerangue, onde ela se volta contra os próprios europeus nas brutalidades nazistas. Não havia qualquer tipo de respaldo de direito dos povos colonizados, como constituições, direitos humanos ou políticos, o que criava um cenário de violência frequente que massacrou povos no mundo inteiro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Teoria das Relações Internacionais II- Aula 5

Teoria das Relações Internacionais II- Aula 8

Teoria das Relações Internacionais II- Aula 4