História do Sistema Internacional II- Aula 2
Imperialismo Colonial – Parte 2
Grande parte dos Estados imperialistas possuía empresas monopolistas gigantescas que afetavam diretamente as políticas dos Estados. A partir do século XIX, há um aumento da conjugação dos interesses das empresas com os dos Estados nacionais. O capitalismo não era ainda a realidade de muitos povos e comunidades antes do novo expansionismo colonial europeu do final do século XIX, mas foi imposto por meio da colonização.
Segundo a análise de Hannah Arendt, as violências aplicadas contra os povos colonizados são a origem de como a violência foi instrumentalizada dentro dos Estados. Nas colônias não existiam leis ou regulamentos que controlassem as ações dos exércitos coloniais. Impôs-se uma nova lógica de organização política e econômica chamada lei de mercado, impondo a lógica do mercado capitalista, levada a cabo por um processo de extrema violência. A incorporação do mundo à lógica capitalista, portanto, foi feita numa lógica genocidária.
Mike Davis, famoso por sua obra Holocaustos Coloniais, percebeu que desde o final do século XIX começaram os primeiros registros do fenômeno El Niño. Já eram os primeiros registros de um impacto climático a partir dos efeitos capitalistas, que afetou a agricultura de diversos países, embora os efeitos da fome e da seca não sejam unicamente climáticos. Segundo ele, foram os resultados do expansionismo capitalista que causaram as consequências mais graves em números totais nos países do mundo, como na China e na Índia.
Nesses países colonizados, as variações climáticas eram bem conhecidas e os povos eram adaptados a problemas da colheita, possuindo um sistema milenar de armazenamento de grãos em silos comunitários. Os britânicos, ao chegarem na Índia, enxergando os grãos como mercadoria, passaram a vender os excedentes no mercado. Isso leva à falta de uma segurança alimentar em períodos de seca e variações climáticas, levando à fome generalizada. É aí que surge um dos maiores genocídios, o holocausto colonial, onde diversas sociedades sofreram uma mortandade generalizada ocasionada pela fome em uma sociedade que produzia mais do que era capaz de consumir.
No início do século XIX, a indústria de algodão indiana era muito mais eficiente e avançada do que a britânica. Estes, ao negociarem com os indianos, impuseram que o mercado britânico deveria ser priorizado na venda de produtos têxteis. Essa venda era feita em libra esterlina, sendo o lucro retornado em títulos de dívida, que possuíam valores definidos pela coroa portuguesa, com quem vendia recebendo o valor do título em moeda local — moeda desvalorizada que não possuía utilidade. Ou seja, no final, os comerciantes tinham pouco lucro nesse processo. Em todo esse período, foram extorquidas cerca de 43 trilhões de libras esterlinas.
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