História do Sistema Internacional II- Aula 5
Colonialismo Imperial (Parte Final)
Durante o reinado de Leopoldo II no Congo, que estava sob a posse privada do rei belga, mais de 10 milhões de pessoas foram mortas sob uma política de exploração da mão de obra local para extração de minérios e borracha. Houve uma transferência do Congo ao governo civil da Bélgica no início do século XIX após as denúncias de maus-tratos; entretanto, as formas de exploração continuaram.
Em diversos outros lugares na África, potências europeias fizeram uso da translocação em massa, imposição de trabalho forçado e eliminação física contra povos locais. Esses três fatores constituem um genocídio e, mesmo assim, na literatura, tais eventos não são reconhecidos como genocídios, nem pela ONU.
Em diversos países se fez uso de políticas segregacionistas ou de práticas discriminatórias, como nos EUA e na África do Sul, políticas que só foram derrubadas após o surgimento de movimentos civis nos anos 60 e 70. Mesmo assim, os índices de desigualdade da população negra comparada à população branca possuem níveis maiores na atualidade do que em décadas anteriores. A ideia de que vivemos em uma sociedade pós-discriminatória acaba por cegar as pessoas em relação às desigualdades econômicas, políticas e sociais ainda existentes.
Os EUA fizeram uso de um colonialismo interno, onde as populações negras foram submetidas à mesma lógica exploratória de uma metrópole contra a colônia. Foi imposta uma violência política e física contra as populações negras, reforçada por grupos como a Ku Klux Klan. A situação de "Estado de exceção" foi a regra de vida de muitas pessoas, e essa situação ainda continua nos dias atuais por meio da violência policial e do encarceramento contra a população negra.
Na África do Sul há uma espécie de colonialismo misto de britânicos e holandeses que disputaram a região. A violência aplicada nessa região não visava o extermínio da população negra, mas a subordinação desta. Estes foram segregados e separados, vivendo em lugares e de formas diferentes da população branca. Havia, portanto, uma divisão racial com o objetivo de exploração econômica, onde não havia ascensão social para a população negra, sendo sua mão de obra utilizada pela população branca.
Nos estudos de RI, grande parte das análises sobre guerra se concentra nas guerras interestatais europeias. Entretanto, as guerras no continente africano são as bases para se entender o desenvolvimento capitalista e da própria guerra, além do nível de brutalidade aplicado ser igual ou superior ao que foi em guerras na Europa.
Nos dias de hoje, o colonialismo oficialmente não existe mais. Entretanto, o que se discute é que, apesar de não existir o vínculo colonial de modo formal, todas as práticas coloniais (exceto a anexação territorial) continuam a ser executadas, como a imposição da violência, a segregação espacial, a noção de estado de exceção e a desigualdade de acesso a direitos. A única diferença é que as violências coloniais ocorrem de forma interna, dentro dos Estados.
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