Economia Política Internacional- Aula 5

 Revolução Industrial

A primeira Revolução Industrial está relacionada a uma transformação energética. Na segunda Revolução Industrial, ocorrida na virada do século XIX para o XX, a ciência passou a ser incorporada nos diferentes campos produtivos. Os setores-chave desse período foram a siderurgia, a química, os corantes, os fertilizantes, os explosivos, entre outros. A ciência também foi aplicada à agricultura, especialmente por meio dos fertilizantes, um dos principais fatores que permitiram o desenvolvimento econômico, já que a maior oferta de alimentos possibilitou o crescimento das cidades. A eletricidade surgiu nesse contexto, alterando radicalmente a vida humana. Outra mudança importante foi a incorporação do petróleo como fonte de energia, juntamente com o carvão mineral herdado da primeira Revolução Industrial. Surgiu, ainda, a indústria automobilística.

Grandes corporações passaram a se integrar verticalmente, controlando todo o processo industrial do início ao fim. Empresas de grande porte associadas a marcas consolidaram-se, substituindo o modelo anterior de pequenas firmas e representando um novo ciclo de acumulação de capital. Houve padronização na produção de certos objetos, como pregos, tomadas e outros utensílios.

Outro elemento relevante foi o surgimento dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento. Universidades e indústrias estabeleceram uma relação mais próxima, formando engenheiros e especialistas em diversos ramos da ciência. A proteção de patentes também se tornou característica marcante desse período.

Entre as consequências econômicas e geopolíticas, destacam-se a concentração industrial e a intensificação do imperialismo. Entretanto, houve poucas guerras entre as grandes potências continentais, e a maior parte dos conflitos não interferiu significativamente na economia internacional. Muitos desses conflitos ocorreram na periferia global ou no âmbito interno dos países.

O processo de industrialização concentrou-se majoritariamente nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha. Os EUA, França e Inglaterra possuíam grandes territórios, próprios ou coloniais, com abundantes recursos minerais, diferentemente da Alemanha, que entrou tardiamente no processo de partilha colonial e, por isso, dependia mais do comércio internacional. A Inglaterra, embora também dependente do comércio, contava com um poderoso poderio naval. A concorrência interestatal intensificou-se, culminando na Primeira Guerra Mundial.

Nesse período, ocorreram várias inovações e conquistas: containers refrigerados, que possibilitaram a exportação de carnes e vegetais; desenvolvimento urbano acelerado, como a construção de metrôs; o Canal de Suez; submarinos; dirigíveis e os primeiros protótipos de avião; geradores elétricos e lâmpadas; os primeiros eletrodomésticos; comunicação de alta velocidade; projetores e o cinema; rádio; e processos modernos de produção de fertilizantes.

Milagre Europeu e Grande Divergência
A partir das primeiras e segundas revoluções industriais, o mundo passou a se dividir entre países considerados "ricos" e "pobres". A desigualdade entre nações aumentou significativamente, embora, a partir dos anos 1980, tenha começado a haver uma convergência de países do Sul Global, principalmente impulsionada pela China e, em menor escala, pela Índia. Hoje, diversos países da periferia global apresentam condições iguais ou superiores às do Norte Global.

Isso contrasta com o século XIX, quando China e Índia sofreram forte declínio em sua capacidade produtiva, com a Índia transformada em colônia e a China enfrentando guerras internas e externas. Antes de 1750, os países europeus representavam apenas uma pequena parcela da produção manufatureira global, enquanto China e Índia detinham a maior parte. A Revolução Industrial reverteu essa dinâmica, tornando a Europa o centro da produção manufatureira mundial e diminuindo a participação de China e Índia.

Um grande debate sobre o início da Revolução Industrial é por que ela começou na Europa e não em outros lugares. Após a queda do Império Romano, a Europa não se reorganizou em um grande império unificado, permanecendo fragmentada em diversos Estados, diferente da China. Esses Estados buscavam expandir seus territórios por meio do colonialismo e do mercantilismo. Em um espaço fragmentado, projetos ou tecnologias rejeitados em um reino poderiam ser financiados em outro, situação que não ocorria em impérios unificados. Foi assim, por exemplo, que Cristóvão Colombo conseguiu financiamento para suas navegações.

A grande vantagem da Europa em relação à China era a existência das Américas, que forneceram matérias-primas ausentes no continente europeu, permitindo que os países europeus superassem a armadilha malthusiana e se desenvolvessem.

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