Estudos Estratégicos- Aula 3

Clausewitz nasceu no final do século XVIII, sendo cadete no exército prussiano, entrando no exército aos 12 anos e servindo na cidade de Neuruppin, onde tomou contato com o reformismo militar prussiano. Ele foi muito influenciado pelo Iluminismo, no qual o conhecimento levava à perfeição humana. Estudou na Nova Escola de Guerra em Berlim, sendo mentorado por Scharnhorst. Por meio dessas influências, defendeu uma modernização conservadora na Prússia.

Após a derrota para a França de Napoleão, ele retorna à Prússia em 1808 e começa a trabalhar na modernização do exército em um modelo altamente especializado e disciplinado. Era um grande crítico dos modelos francês e russo de exército, criticando a falta de vontade dos cossacos e as estratégias de terra arrasada russas, aceitando uma posição no Estado-Maior do exército russo, mas recusando-se a trabalhar junto a Napoleão na Prússia. Entretanto, em 1813 ele retorna ao exército prussiano. Em 1818, como Diretor da Escola Geral de Guerra, começa a escrever o livro Da Guerra. Em 1830 ele é transferido para a artilharia e, em 1831, morre de cólera, interrompendo a escrita de seus livros, que seriam concluídos por sua esposa após sua morte. Entre as influências para sua obra estão Montesquieu, Kant e Hegel.

A Definição e Natureza da Guerra
Clausewitz trabalha com uma série de metáforas; uma delas é a de que a guerra é um duelo em grande escala, onde um adversário busca submeter o outro à sua vontade a partir de um ato de violência com o objetivo de desarmar o inimigo, fazendo uso ilimitado da força.

A Tendência dos Extremos
É durante a época em que Clausewitz escreve que começa a surgir o modelo de guerra em grande escala, a partir do desenvolvimento da tecnologia. Para ele, a guerra nunca era um ato isolado: ela é uma ação política que surge da conexão com a vida anterior do Estado. A guerra não consistia em um “golpe único”; ela raramente se decide em um único momento, mas em vários atos sucessivos amparados em resultados anteriores. Ela nunca é absoluta no resultado — muitas vezes, a derrota de um Estado é transitória, com circunstâncias políticas futuras podendo remediar os danos da derrota.

O Papel do Acaso e da Probabilidade
Ele dava significativa importância ao acaso e a como as condições do campo de batalha mudavam a situação do conflito. A guerra era um jogo baseado em um cálculo de probabilidades, sendo a inteligência e o entendimento essenciais para a adaptação às circunstâncias. Além disso, a guerra era um instrumento político e era influenciada por fatores políticos.

Diversidade na Natureza das Guerras
A natureza da guerra varia conforme seus motivos e circunstâncias. Quanto mais grandiosos e poderosos forem os motivos, quanto mais afetarem a existência da nação, mais a guerra se aproximará de sua forma abstrata e violenta. Quanto mais fracos forem os motivos, mais a guerra se afastará de sua tendência natural e se tornará política.

A Trindade da Guerra
A guerra é uma trindade onde se encontram a violência original, o jogo das probabilidades e sua natureza subordinada como política da razão. A guerra é um camaleão que adapta suas características a uma determinada situação. Como um fenômeno total, as tendências predominantes da guerra a tornam uma trindade paradoxal, composta pela violência, pelo ódio e pela inimizade primordial — que devem ser vistos como uma força natural cega —, pelo jogo do acaso e da probabilidade, no qual o espírito criativo está livre para vagar, e pelos seus elementos de subordinação, como um instrumento da política, que a torna sujeita apenas à razão.

A Simplicidade Complexa da Guerra

  • Simplicidade aparente: na guerra, tudo é muito simples. Mas a coisa mais simples é difícil. As dificuldades acumulam-se e levam a uma fricção que ninguém compreende corretamente se não tiver visto a guerra.

  • Obstáculos inesperados: na guerra, tudo baixa de nível devido a inúmeras contingências secundárias.

  • Força de vontade: uma vontade poderosa, uma vontade de ferro, ultrapassa as fricções e esmaga os obstáculos.

O Comandante Perfeito
Segundo Clausewitz, um comandante militar perfeito deveria ter as seguintes características: experiência, força de vontade, tato (capacidade de tomar decisões complexas em situações inesperadas) e qualidades excepcionais.

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